Um bispo reformado de professor era o general que faltava

Major-general Manuel Linda


Num país laico há professores a fazer proselitismo à custa do Orçamento, professores que os bispos nomeiam e exoneram livremente, prestando serviço a uma religião particular, mas pagos por todos contribuintes.

Podem acabar as aulas de humanidades mas mantêm-se como oferta obrigatória as aulas de Religião e Moral católica. Há quem comece a acumular tempo de serviço a doutrinar os alunos, acabe por ultrapassar colegas mais classificados e progrida como professor de biologia.

Agora é nas Forças Armadas, a que a Igreja católica conseguiu juntar as forças policiais, que vai ser nomeado um novo bispo com a patente de major-general. Se os católicos fardados precisam de um comandante, não tardará que um major divulgue a bondade do Corão e um tenente as delícias da Tora. O que surpreende é a obrigação do Estado ter de pagar a salvação eterna dos militares e polícias.

Manuel Linda era o bispo auxiliar de Braga que o múnus retirou das funções docentes, com a pensão de 1429 euros, situação que complica a integração na função militar ativa.

Neste momento já dispõe de gabinete, automóvel, motorista e secretária, e tudo indica que o ministro da Defesa e a ministra das Finanças o autorizem, por despacho conjunto, a acumular a pensão de professor com a de comandante supremo dos católicos fardados, uma tença de mais 3518,62 €.

O novo bispo, cuja falta é visível, precisa do reconhecimento oficial. Como ele próprio se interroga: «Como é que eu de Braga posso prestar assistência, por hipótese, à GNR de Vila Real de Santo António?». De facto, como pode um cabo, ansioso por se crismar, recorrer ao bispo se ao alvará para administrar o sacramento da confirmação, não juntar a patente de major-general, contra-almirante ou superintendente-chefe?

Portugal pode ter carências e não se justifica que faltem capelães aos católicos fardados, tal como não faltam nos hospitais e nas prisões. Agora, os evangélicos também querem meter um bispo nas FA. Espera-se que, pelo menos, lhe paguem como cabo-mor.

Ponte Europa / Sorumbático

Comentários

Alfredo Caiano Silvestre:

Tença, naturalmente.

Obrigado pela vigilância sobre tão primário erro ortográfico. Emendei-o graças a si, caro leitor.
Leo disse…
O Estado não tem de suprir as necessidades espirituais de ninguém, principalmente quando isso implica custos ao contribuinte.
Se o vaticano quer manter influência junto dos seus crentes então que seja chamada a financiá-la.
O Estado nem devia permitir a presença da igreja nos seus organismos.
Não faltam por aí igrejas para quem quer ouvir a missa.

Mensagens populares deste blogue

O último pio das aves que já não levantam voo

Cavaco Silva, paladino da liberdade

Efeméride – 30 de outubro de 1975