Condecorações, romarias, carnavais e penitências quaresmais…

Para a maioria dos portugueses as condecorações que o Presidente da República distribui em esdrúxulas cerimónias que, de tempo a tempos, realiza em Belém pouco ou nada dizem.

Tudo isto a propósito da condecoração que Cavaco Silva resolveu atribuir a Vítor Gaspar ex-ministro das Finanças do Governo do Governo de Passos Coelho.

Hoje, o Presidente fez a ponte entre vários ministros das Finanças - todos relativamente efémeros - desde o Governo de Santana Lopes (Bagão Felix), o arranque do Governo Sócrates (Campos e Cunha) e a passagem também apressada de Vítor Gaspar pelo XIX GC link. Foi por assim dizer uma manifestação familiar que se enquadra no seu conceito de ‘despedida’.

Nada que se possa apontar como insólito ou estapafúrdio se acaso não existissem gritantes lapsos que a recente condecoração de António Guterres não apaga.

Mas dada a memória recente dos últimos anos é um pouco estranho e deslocado o destaque público do homem que foi o instrumento da aplicação de sacrifícios aos cidadãos (excessivos como avaliam alguns relatórios internacionais).
Convém recordar a carta de demissão de Vítor Gaspar onde se pode ler: “O incumprimento dos limites originais do programa para o défice e a dívida, em 2012 e 2013, foi determinado por uma queda muito substancial da procura interna e por uma alteração da sua composição que provocaram uma forte quebra nas receitas tributárias. A repetição destes desvios minou a minha credibilidade enquanto o Ministro das Finançaslink
Na verdade perante uma auto-avaliação sobre a sua credibilidade política que rotulou de minada o mínimo que podemos achar é que a condecoração atribuída é (mais) uma diletante manifestação ‘cavaquista’.

Destas manifestações um pouco toscas e saudosistas só não se compreende as razões por que V. Gaspar não recebeu a condecoração conjuntamente com Alberto João Jardim (também recentemente agraciado).  Se assim fosse sempre dava um ar de romaria na despedida do Carnaval. 
Faltando menos de 1 mês para terminar o mandato (julgo que serão ainda 25 dias!) Cavaco Silva dá a sensação de ter condenado o País a uma quaresma saloia. 
Esperemos sentados. Melhor esperemos que a próxima leva não inclua o Miguel Relvas.

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