Em vez do ‘Brexit’, o caos adiado …


A reunião de hoje do Conselho Europeu para tratar do chamado ‘Brexit’ pode não passar do toque a finados para a Europa link.

Para além de medidas na área social com um intenso odor discriminatório que representam um enorme recuo no conceito da Europa social,  outras medidas na área financeira, nomeadamente em relação à City londrina, podem significar que o Conselho de hoje terá consolidado o estatuto oficioso de offshore a este importante centro financeiro no contexto europeu.

Uma outra prerrogativa em discussão diz respeito à pretensão da Inglaterra de tutelar decisões oriundas do Eurogrupo, mantendo-se fora da moeda única. Se esta condição foi reconhecida lançou-se o fermento para a fragmentação da Europa, rasgaram-se os Tratados europeus e será hipócrita continuar a invocar (no terreno fiscal e orçamental) de "regras europeias" (só para alguns).
 
E, finalmente, muitos acreditam que esta cascata de cedências não garante que o projectado referendo possa correr bem (do ponto de vista da 'União').

Neste momento seria bom recordar aquela que foi uma figura influente na Europa pós-guerra – o General Charles De Gaulle – e que, em 1963, advertiu: “a natureza, a estrutura, a conjuntura, que são próprias da Inglaterra, diferem dos países continentais…link.

E por último, resta a esperança de que estas negociações não tenham passado por compromissos assumidos, à revelia dos cidadãos europeus, em relação ao chamado ‘Tratado Transatlântico’ (TTIP). Se este passo foi dado significa pura e simplesmente que a UE capitula em toda a linha na definição e execução de uma política externa comum, autónoma e independente.
O Reino Unido sempre foi, na Europa, a ponta de lança dos EUA e, claro está, o dilecto defensor dos seus interesses. Abdicar de instrumentos capazes de afirmar a Europa no Mundo é, nitidamente, suicidário.
 
Adiou-se o caos mas a ameaça permanece incólume...

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