TAP: as chinesices da privatização e as ‘barracas’ que se adivinham…


A TAP é com os últimos desenvolvimentos mais um foco de problemas e um imenso pântano de obscuridade bem revelador das ‘negociatas’ do Governo Passos Coelho.
A sua ‘privatização’ tão propagandeada pelo anterior governo como resolutiva dos problemas financeiros e da subsistência da transportadora aérea nacional como companhia de bandeira para além de esconder-se atrás da estratégia privada da companhia Azul de David Neeleman, cuja identificação com o interesse nacional nunca foi demonstrada, favorece - em primeira mão - interesses e ocultos desígnios de apropriação das carreiras existentes entre a Europa, o Brasil e Angola.

Esta semana tornou-se público que poderá ser o veículo para entrada ou consolidação da companhia chinesa Hainan Airlines na Europa link.

Mais não será necessário para (re)colocar em cima da mesa a transparência do negócio mas para além disso o problema político e económico - durante a última legislatura 'sistémico' - da venda a retalho e a pataco do património nacional e identidade em sucessivas tranches.
Esta foi a política de insaciável alienação patrimonial do governo anterior e, de facto, a venda da TAP num atribulado e apressado ‘processo de saldo’, operada em favor de uma companhia descapitalizada ou, se calhar, tecnicamente falida, revela-se escandalosa.  
A estranha cooperação do anterior Governo com a estratégia empresarial privada (da Azul), que pretende beneficiar dos privilégios de 'companhia de bandeira' e assim condicionar mercados aeronáuticos a seu favor (p.exº.: o do Brasil), sem retribuir o que quer que seja, não se enquadra no ambiente concorrencial tão profusamente propalado, nos conturbados tempos de 'entrega' (aos mercados).  O caso da supressão de voos a partir do aeroporto do Porto revela de forma exemplar o curso destas manigâncias.

Torna-se cada vez mais evidente o papel decorativo do Sr. Humberto Pedrosa que emprestou o seu nome e do seu Grupo para uso da União Europeia e validação do negócio. Hoje, constatamos que a estrutura societária da TAP poderá ser substancialmente diferente daquela que foi publicamente divulgada. Isto é, a TAP poderá estar metida numa grande ‘barraca”.

A pergunta que se coloca é a seguinte:
Não deverá (quererá) a União Europeia reanalisar a conformidade desta venda com as famosas ‘regras europeias’?

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