Europa: uma ameaça velada…


Hoje o DN publica um interessante artigo sobre o OE e as contas públicas. O quadro está pintado com tintas negras e o horizonte está cerceado, fechado link.

Então onde está o ‘interessante’?
Estamos cada vez mais próximos de saber se um dos slogans utilizados pela direita nas últimas eleições tinha o mínimo fundamento. Da leitura do texto salta uma pergunta: 
- ‘Os sacrifícios valeram a pena’?

Enfim, todo o ambiente que a direita está empenhada em criar poderá ter um 'efeito boomerang'. Na verdade, se alinharmos com os arautos da desgraça ressalta a evidência de que estamos no mau caminho. 
A solução que começa a revelar-se dos confins do buraco onde dizem que estamos e passará por outras opções como, por exemplo, a renegociação ou reestruturação da dívida soberana que nos garrota o futuro (coisa que enfurece a direita dos interesses e das transferências de capitais). Esta uma solução que perdeu gaz mas que jaz adormecida no inconsciente coletivo.
Na realidade, a percepção crescente é de que o sistema (capitalista) deixou de servir os cidadãos e alimenta-se da permanente espoliação destes. Um dia - se a rês não for 'chegada' ao macho - a teta seca (como sabem os homens da agro-pecuária).

Dos comentários vindos de Bruxelas tornou-se evidente que está em marcha uma ‘espiral de austeridade’ com o aprofundamento do empobrecimento de todo um País até nada restar. Nessa altura deverá ser servido aquilo que se chama ‘um bodo aos pobres’.

O OE deste ano foi difícil mas, a continuar pelo mesmo caminho, o de 2017 será [politicamente] impossível. Para o próximo ano o défice que Bruxelas deverá ‘exigir’ - a manter-se o ritmo do 'ajustamento' - deverá rondar 1%. Meta que virá recheada de mais medidas de austeridade e ‘reformas estruturais’. 
Trata-se de uma tarefa impossível para o actual governo PS, mas também para a qualquer alternativa oposicionista que seja patrocinada pela direita agora que o principal partido dessa área vestiu uma roupagem ‘social-democrata’, para tentar cativar incautos. O ritmo gizado por Bruxelas (não inocentemente) conduz necessariamente à 'desestruturação' - e à ruína - de qualquer País.

Assim,  os ditktats que Bruxelas está a desenhar e a impor – a todos os portugueses - à margem e em complemento dessa tresloucada ‘espiral austeritária’, não são mais do que o pré-anuncio de uma ditadura.
Não obrigatoriamente a clássica solução militar de bota cardada, paradas e casernas mas antes um situação ‘pós-moderna’, compaginável com ditadura dos burocratas – uma expressão tirânica de funcionários - em que o universo dos eleitores é substituído por um obscuro ‘colégio de credores’ e os seus capatazes (serventuários).

Urge um debate, a consciencialização e a activação de resoluções democráticas (referendo, p. exemplo) para apurar se os cidadãos europeus aceitam trocar a democracia por uma burocracia.

Comentários

Guia disse…
Análise completa e excelente, como sempre que leio os seus textos!
O que descreve como o caminho temível para o nosso país em 2017...eu acho que é já o que a Grécia está a viver...A austeridade máxima...E o país está cada vez pior...

Eu estou absolutamente de acordo em que TEMOS DE FORÇAR A EUROPA A MUDAR DE POLITICA, ISTO É, A TOMAR DECISÕES POLITICAS E NÃO APENAS EXECUTAR O QUE A ALTA FINANÇA DE UMA MINORIA DE BANQUEIROS E GRUPOS FINANCEIROS LHES IMPÕE!!!
Os movimentos de cidadãos nos vários E.M. deveriam criar estruturas conjuntas de oposição,com força suficiente para obrigar os "poderes instalados" a aceitarem uma conversação séria sobre a alteração desta politica de austeridade.
Manuel Galvão disse…
O Poder está na ponta das armas. É, e sempre assim foi.
Os países que prescindem da sua soberania em troca um lugar ao sol são frequentemente vítimas desse insensatez.

Mensagens populares deste blogue

Nigéria – O Islão é pacífico…

A desmemória e a dissimulação

Miranda do Corvo, 11 de setembro