Que ganhe Blair

O Iraque foi a nódoa que caiu no pano de um dos melhores primeiros-ministros ingleses dos últimos cem anos. Foi grave a decisão tomada, errada a alegada justificação e falsos os factos divulgados. Ponto final. Parágrafo.
Tony Blair, nos últimos oito anos, transformou o Reino Unido. Investiu muito, e bem, na melhoria dos serviços públicos, particularmente no ensino e na saúde que a senhora Thatcher se esforçou por destruir.
Teve êxito no combate ao desemprego e à pobreza e logrou uma prosperidade invejável no resto da Europa. Ninguém lhe pode negar a boa gestão económica. O salário mínimo garantido (1999) ficará como mais uma marca da sensibilidade social que, apesar das tentativas de colar Blair à direita, define o seu partido.
Os trabalhistas reduziram os conservadores a uma insignificância e o eleitorado, ferido e ressentido com a invasão do Iraque, é ainda no partido Trabalhista que procura alternativa ao actual primeiro-ministro.
Blair conseguiu uma boa descentralização administrativa e política, com ganhos de eficiência e sem traumas, com o aumento substancial de poderes à Escócia, ao País de Gales e, inclusive, à cidade de Londres, uma imensa metrópole onde o mayor passou a dispor de poderes políticos alargados.
Como se tudo isto não bastasse, deve-se-lhe a modernização do sistema constitucional britânico. Reduziu os poderes do Lord Chanceler e os poderes ancestrais da Câmara dos lordes, com a criação de um Supremo Tribunal.
Resta acrescentar que foi o grande obreiro da paz na Irlanda, que soube transferir para a luta partidária e para o âmbito político a tensão que se exprimia através das armas e dos permanentes atentados.
Pertence à família da esquerda e é um europeísta convicto num país de euro-cépticos. Que mais seria preciso para eu desejar a vitória de Tony Blair nas eleições que hoje vão ter lugar? A sua vitória pode ser a alavanca da mudança que começou na Península Ibérica e há-de estender-se à França e à Itália.
Felicidades Tony Blair.
Carlos Esperança
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Quinta-feira, 5 de Maio 2005
«José Cabeças recusa Assembleia
José Cabeças pensou melhor e coloca completamente de lado a hipótese de ser candidato à Assembleia Municipal de Góis. Em alternativa, equaciona ser número dois à Câmara ou avançar com uma candidatura independente. Victor Baptista não recua um milímetro e garante que o PS, mesmo sem Cabeças, vai vencer em Góis
A “solução salomónica” que Victor Batista defendia e a Comissão Permanente do PS aprovou na passada sexta-feira relativamente aos candidatos em Góis não tem actualmente consistência para José Cabeças. O actual presidente da Assembleia Municipal disse ontem ao Diário de Coimbra que, «depois de falar com os militantes, não posso aceitar ir para a Assembleia». Afirma que o presidente da Federação o questionou relativamente a esta possibilidade, antes da reunião da Comissão Permanente do PS, mas ressalva que a sua última palavra seria dada após «reflectir e conversar com as pessoas». Um processo de interiorização que terá concluído e que o leva a assumir claramente um “não rotundo” relativamente à Assembleia Municipal.
Na base desta tomada de posição está um conjunto de razões, a começar pela reflexão pessoal de José Cabeças, bem como todo um conjunto de conversas com pessoas ligadas ao partido que, sublinha, não subscrevem esta solução. O presidente da ADIBER diz ainda que não conhece as sondagens efectuadas e, como tal, coloca-as em causa. O também presidente da Concelhia mostra-se magoado com Jorge Coelho, «que não me fez um telefonema, não falou comigo», assegura Cabeças que, aponta, como outra das razões, uma carta que o candidato à Câmara e actual presidente da autarquia, José Girão Vitorino, escreveu à população de Góis, «onde me enxovalha». «Se depois disso, sem qualquer retratação, me candidatasse à Assembleia, era eu que passava a ser absolutamente indigno», afirma. Cabeças coloca, de resto, toda a situação num patamar de dignidade. «É uma questão de dignidade pessoal e o PS não é superior à minha dignidade», diz, considerando também que o facto de ser presidente da Assembleia Municipal «não permite qualquer interferência» relativamente «aos desvios que possa haver no projecto de desenvolvimento proposto para o concelho». Ao contrário, a possibilidade de ser número dois de José Girão Vitorino, mas com poderes previamente definidos e acautelados, já constitui uma solução que agradaria a José Cabeças. Ou seja, claramente a «Assembleia Municipal não é uma saída», mas a possibilidade, que aliás foi em tempos equacionada, de avançar como segundo elemento da lista à autarquia, coadjuvada «com um elemento competente em terceiro lugar», já faz parte das expectativas do presidente da ADIBER.
Caso esta segunda hipótese não se perfile nos desígnios dos responsáveis partidários, Cabeças pondera seriamente avançar como independente. «Não me revejo numa concepção política em que as pessoas são como uma peça de uma máquina», diz, disposto a reflectir profundamente sobre o que fazer caso o “figurino” não mude. «Sairei numa altura em que o PS está em alta, para demonstrar a minha desilusão e, ao mesmo tempo, que não preciso da política, sou médico, vivo da minha profissão», afirma.
Sobre a possibilidade de avançar como independente, Cabeças deixa para mais tarde a decisão, mas adianta desde já que o faz em nome «do povo e do desenvolvimento do concelho de Góis. Interessa-me dar continuidade as projectos em que me envolvi, relativamente à fixação dos jovens, à criação de emprego, ao desenvolvimento desta terra». O responsável do PS de Góis sublinha ainda que, a confirmar-se esta situação, «muita gente do PS vai sair». Cabeças assegura, também que o PSD está atento ao que se passa em Góis e a prova disso são, afirma, «contactos feitos com pessoas de peso dentro do PS». Reconhece, todavia, que não foi abordado pessoalmente, e muito embora não equacione liderar uma lista «com o símbolo do PSD», não o repugna receber o apoio dos social-democratas. «Se o PSD se revir neste projecto podemos negociar», afirma, sublinhando o bom relacionamento que tem com o partido de Marques Mendes.»
será possível??????