Carta a Deus


Reza por mim ao teu Deus
com a tua fé exacta e pura
porque eu não sei rezar
nos teus livros sagrados
nem ler o destino nas estrelas
e muito menos a sina
na palma da minha mão.

Reza por mim, se na realidade
acreditas que o teu Deus
tudo ilumina
e tudo anima naquilo em que toca.
Leva-lhe esta carta
e pede-lhe para que me apareça
no Sinai ou em Meca,
que me entregue novamente as Tábuas
me inspire outro Livro em qualquer gruta.
Que me diga onde está, onde mora
e também que idade tem
e o que fazia nas horas vagas
antes de criar o Universo
e, na Terra, instalar o Homem e a Mulher.

Pergunta-lhe também como explica Ele
aquela pedra com que Caim matou Abel.
E, por fim, para não O cansares mais,
e no caso de Ele ser uno e único, como se diz,
e ser ao mesmo tempo Alá e Jeová,
pergunta-lhe pelo Profeta e pelo Messias,
se ambos estão sentados a seu lado
como bons irmãos
ou se prolongam lá no Céu
a guerra santa que lavra aqui na Terra.

Alexandre de Castro - Lisboa, Maio de 2007.
(Amável oferta do autor ao Ponte Europa ) - Foto de origem desconhecida, da responsabilidade do editor do PE.

Comentários

jrd disse…
Já percebi que não me consegues explicar o que é que o cão ali está a fazer?
bfs
Abraço
Anónimo disse…
Fiquei um pouco confuso. Não é claro a quem se dirige o sujeito que fala.
Mas o poema acaba muito bem.
E a fotografia é uma coisa do outro mundo!
Anónimo disse…
JRD:

O que me custa explicar é a presença do garoto.

O cão imita-o. ;-))
Anónimo disse…
Ao anónimo que perguntou "a quem se dirige o sujeito que fala", o autor do poema responde da seguinte maneira: o discurso dirige-se a todos nós, e também ao anónimo comentarista, que poderá ser o primeiro voluntário a ir entregar a carta a Deus.Eu terei o prazer de o acompanhar nessa viagem.
Anónimo disse…
Com atitudes destas estas criança vai dar em assassino. Não tenho dúvida alguma...

OS

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