O novo governo da Irlanda do Norte
Com a presença de Tony Blair e do primeiro-ministro da República da Irlanda, Bertie Ahern:
O reverendo Ian Paisley, líder Unionista, e Martin McGuinness, do Sinn Féin, braço político do IRA, ocuparam hoje os cargos de ministro e vice-ministro principal, respectivamente, do novo governo autónomo do Ulster partilhado entre católicos e protestantes.
Dois terroristas converteram-se em homens de Estado. Depois de muito sangue vertido, os ódios ancestrais deram lugar ao diálogo e foi possível formar um Governo que o ódio religioso e, como sempre, interesses económicos se encarregavam de impedir.
É de saudar esta vitória do povo da Irlanda do Norte, em primeiro lugar, e de desejar que a religião seja cada vez mais um assunto particular e cada vez menos um motivo de guerras e violência. Chegam os 3600 mortos.
Seria injusto não reconhecer a grande vitória de Tony Blair e o seu empenhamento na paz. O melhor primeiro-ministro da Inglaterra das últimas décadas deixou que o seu nome fosse manchado pelo crime da invasão do Iraque mas espero que seja recordado pelo muito que fez pelo seu país e pela paz que levou à Irlanda do Norte.
Dois terroristas converteram-se em homens de Estado. Depois de muito sangue vertido, os ódios ancestrais deram lugar ao diálogo e foi possível formar um Governo que o ódio religioso e, como sempre, interesses económicos se encarregavam de impedir.
É de saudar esta vitória do povo da Irlanda do Norte, em primeiro lugar, e de desejar que a religião seja cada vez mais um assunto particular e cada vez menos um motivo de guerras e violência. Chegam os 3600 mortos.
Seria injusto não reconhecer a grande vitória de Tony Blair e o seu empenhamento na paz. O melhor primeiro-ministro da Inglaterra das últimas décadas deixou que o seu nome fosse manchado pelo crime da invasão do Iraque mas espero que seja recordado pelo muito que fez pelo seu país e pela paz que levou à Irlanda do Norte.
Hoje foi um dia histórico para o Ulster, a Inglaterra, a Europa e o Mundo.

Comentários
A História da(s)Irlanda(s) foi feita de fome,ódio,heroísmo e traições.
Gostaria muito de estar enganado mas experimento algumas dúvidas sobre o futuro esta "entente", que nem sequer é tão religiosa como se diz para simplificar.
Depois do vendaval do Iraque, Blair conseguiu aqui uma "Brisa de mudança".
Costumas ter razão mas prefiro o meu optimismo.
Um abraço.
Estou de acordo com JRD de que um problema, aparentemente, baseado em fracturas religiosas, vai direccionar-se para as questões concretas da vivência democrática que persistem, há séculos, entre as duas comunidades.
Por exemplo: assimetrias na distribuição do rendimento, barreiras nas acessibilidades à educação, etc.
Está ganha uma batalha - falta ganhar a guerra.
O problema do PSOE de Zapatero é ter razão antes do tempo. O que em política é fatal.
Considero inevitáveis (se calhar inadiáveis) negociações entre o Governo de Espanha (qualquer que seja) e a ETA.
Não podemos é sofrer do diletantismo de aplaudir quando a Direita o faz e exorcizar a Esquerda quando o tenta. As oportunidades políticas e históricas são, por vezes, únicas.
Veja-se o que sucedeu com Mário Soares, em relação ao Médio Oriente quando, no início do conflito, defendeu negociações. Foi ridicularizado.
Condoleeza Rice já as iniciou... perante o silêncio dos "inocentes"!
Espero e desejo "não ter" razão desta vez.
Relativamente à oportuna extrapolação que E-PÁ faz para o caso espanhol e concordando com as óbvias diferenças entre as situações da Irlanda e da Espanha, importa também sublinhar que, enquanto a esquerda espanhola adopta uma postura democrática e honesta quando a direita, ainda que encapotadamente, negoceia com a ETA, esta, por sua vez, boicota e grita aqui d'el-rei quando é a esquerda a fazê-lo.
Também neste caso mantenho algumas reservas sobre eventuais entendimentos, porque já é tarde ou, quem sabe, demasiado cedo, para cindir com as situações de permanente ruptura existentes.
Abraço