OTA – Hipocrisia e interesses pouco transparentes

Perante um país de técnicos e especialistas aeroportuários, venho, na qualidade de leigo, recordar alguns factos não desmentidos e indesmentíveis:

O aeroporto, na OTA, foi escolhido no Governo de Guterres, confirmado nos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes e decidido pelo actual Governo.

Por que motivos, só depois de tomada a decisão, vieram em força os interesses que contrariam outros interesses?

A mais patética posição é a de Marques Mendes que, como lhe recordam no PSD, aceitou a localização no Governo de que fez parte e a contraria agora na oposição.

Que interesses o movem?

Comentários

CA disse…
A pergunta sobre os interesses pode fazer-se a qualquer das posições.

No caso de Marques Mendes basta o interesse eleitoral para o mover: a grande maioria dos portugueses é contra a Ota. O governo teima na Ota por compromissos pessoais e inconfessáveis do ministro Lino. Marques Mendes apanha a boleia da maioria dos eleitores e ganha sempre: se a Ota for em frente contra a vontade dos eleitores ele diz que esteve do lado dos eleitores. Se a Ota não avançar ele apresenta uma vitória política.

Mais difícil de compreender é a posição do governo, que tinha obrigação de defender o interesse nacional e defende uma posição que é incapaz de justificar minimamente, a não ser com argumentos do tipo: a decisão foi tomada por outros.

Perante uma decisão errada mais vale mudar de opinião do que persistir no erro. A menos que o interesse dos governantes não coincida com o interesse nacional.
Anónimo disse…
Por que será que a palavra "patética" fica tão bem na frase onde esta´Marques Mendes?
Anónimo disse…
Toda a gente sabe porque é que o PSD é contra a OTA!! uma das formas do Estado intervir "indirectamente" na economia é lançando obras publicas!! Na America apos o crash de 1929, lancou-se o "new deal".
A economia portuguesa está sufocada, o crescimento economico mais baixo que a média europeia, depois de 2 anos a apertar o cinto, o PS quer lançar uma obra publica desta envergadura para relançar a economia portuguesa e com isso se obtiver bons resultados deixar o PSD mais 4 anos na oposição!! Está bom de ver porque é que o PSD, depois de não ter tido coragem de fazer as reformas necessárias no Estado, para garantir o Estado Social, agora tambem não quer esta enorme obra publica!!

Mais, Portugal necessita de um novo Aeroporto, por razões de segurança e outras transversais com a economia do País ,demasiado numerosas e consabidas para explanar aqui!

P.s. Os politicos escolhem a obra, como decidem quando o país vai para a guerra, mas devem ser os engenheiros a conduzir a obra e a logistica da mesma, tal qual como os militares devem ser os estrategas da guerra ;)
Anónimo disse…
A melhor maneira de responder a um mau argumento é deixá-lo continuar.

Sydney
Anónimo disse…
Interesses devido aos terrenos do aeroporto?

É claro que os h´s, ainda hà dias na RTP passou uma reportagem com um dos donos de terrenos do aeroporto, por lapso seu escapou-lhe que esses terrenos estavam integrados num fundo imobiliário do BES.
Por outro lado, numa outra notícia dava-se conta de q o BES tinha terrenos na margem sul.

Seja como for os interesses alimentam antes de mais a continuação da polémica (ambos os terrenos vão-se valorizar), e qd se vir o BES a vender a Sul ou a Norte logo saberemos para onde vai o aeroporto.

A pergunta é sempre a mesma: como é que alguns bancos sabem tudo antes dos outros Portugueses? Se calhar ter um ministro da Economia e o assessor para a Economia do maior partido da oposição nos seus quadros ajuda?????
Anónimo disse…
Será que o estudo da localização do novo aeroporto foi realizado por um licenciado da Independente?
Se não o foi então estou a favor da OTA.

el s.
Anónimo disse…
Qual a opinião do PM?

Já agora:
http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Primeiro_Ministro/Biografia/

depois de tudo nada mudou.
Este comentário foi removido pelo autor.
Na minha qualidade de engenheiro, inscrito na Ordem dos Engenheiros, acho que...

ANTES DE MAIS, esclareço que, quando o Novo Aeroporto de Lisboa estiver operacional (na Ota ou noutro lado qualquer), já me darei por muito satisfeito se ainda estiver vivo, pelo que o meu interesse pelo assunto dificilmente será como utilizador, mas apenas como cidadão, eleitor e contribuinte.
No meio de tanta discussão e conversa-fiada, há apenas duas coisas que eu gostava que alguém me esclarecesse - mas, se não puder ser, também não faço uma guerra por causa disso:
A primeira tem a ver com o facto - que, ao que dizem, é incontroverso - de que na Ota não haverá possibilidades de ampliação, pelo que, dentro de uma vintena de anos, os nossos filhos e netos andarão a discutir o mesmo que tanto nos apaixona agora - mas também reconheço que isso, por si só, não tem mal nenhum.
A outra tem a ver com o número de passageiros. Sucede que, quando nos dizem que para os dois TGV vai haver não-sei-quantos milhões de utilizadores (que os justificam), fico com a ideia que eles não são descontados nos voos para Madrid e Porto. Mas também não é grave, pois já me enganaram com coisas piores.

Assim sendo, esqueçamos os pormenores e vamos ao essencial:

Actualmente, a discussão é entre os que acham que o Novo Aeroporto deve ficar mais a Norte e os que acham que deve ficar mais a Sul.

Claro que, sendo uma obra que vai atravessar vários governos, seria bom que pelo menos os principais partidos se entendessem sobre o tema; mas desiludamo-nos! - os que ontem defendiam a Ota opõem-se-lhe hoje, e não estamos livres que amanhã suceda o contrário.

Por isso, é cada vez mais claro que a solução está no que a engenharia portuguesa já fez em Macau: um aeroporto no meio da água (porventura ao largo do Bugio), livre de especulação imobiliária, com razoável espaço para alargamento e (o que é o mais importante!) com possibilidade de ser rebocado em todas as direcções, por forma a satisfazer o actual governo ou qualquer outro que, no futuro, defenda o oposto, o inverso, o oposto-do-inverso ou mesmo o contrário-do-oposto-do-inverso.
Anónimo disse…
Calculo que todos os estudos foram efectuados por "santinhos"...

Este tipo de decisões políticas tem por detrás, interesses inimagináveis...

Será que os portugueses são trouchas ? Não me parece.

Os nossos políticos é que são autênticos larápios.
Aqui deixo algumas dicas, à parte, pois não se enquadram no espírito de bricadeira com que o meu Comentário anterior foi escrito:

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Claro que a opção por fazer (ou não) um novo aeroporto (e, se sim, onde) é uma opção 200% política. Decidir porque é que se gasta dinheiro numa coisa e não noutra; ou porque é que se vai dar preferência ao desenvolvimento de uma região e não de outra - é política pura e dura. E não há nada a objectar, que é para essas coisas que há políticos profissionais a quem pagamos.

O que irrita é que este assunto está a deixar de ser uma discussão política (lógica, pelo que atrás se disse) para se transformar numa discussão partidária quando um partido passa a defender na Oposição o oposto do que defendia no Governo.

Ou, o que é pior, numa trica, casmurra e tonta, do género Benfica-Sporting.

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Os que querem o aeroporto na Ota, dizem que há interesses obscuros a puxar por outra localização. Os que querem o aeroporto noutra localização, dizem que há interesses obscuros a puxar pela Ota.

Mas os interesses podem não ter nada de obscuro. Mal seria se os possíveis beneficiados por ele não fizessem pressão para o seu lado!
Isso até sucede com a localização de uma paragem de autocarro - quanto mais com a de um aeroporto internacional!

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Os custos não me preocupam muito, pois o que são 3,5 mil milhões comparados com os 16 ou 17 de fuga ao fisco (números oficiais)?
E, se não forem para o Aeroporto, vão "voar" para uns estádios quaisquer.
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Por que razão Mário Lino, só depois de MUITO pressionado é que disponibilizou os estudos na Internet? E como é que se explica que, de vez em quando, se saiba que foram omitidos estudos que não lhe interessavam?

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Conheço pessoalmente o Professor Galopim de Carvalho, e custa-me que menosprezem as sua opiniões, especialmente face à valorização dada aos jovens da Quercus, que Mário Lino até convida para almoçar.
CA disse…
A Ota é uma decisão política. Mas é uma decisão contra o parecer quase unânime dos técnicos de diversas áreas (engenharia, gestão, aeronáutica). Tudo indica que se trata de uma péssima decisão.

Cabe aos cidadãos discutir os aspectos técnicos e pressionar o governo no sentido de tomar uma melhor decisão.

Podemos discutir os interesses mas isso não é um critério de decisão. Devia levar-se em conta o interesse nacional.

Quanto à ecologia, a Ota é pelo menos tão má (e provavelmente pior) do que Rio Frio. É pior do que o Poceirão. A opção "ecológica" pela Ota foi mais uma vez uma decisão estritamente política, sem fundamento técnico(!), tomada em 1999. Os políticos podem definir politicamente o interesse ambiental de preservar um esgoto a céu aberto mas isso não traz melhor ambiente.

Acresce que fazer agora a Ota implicará provavelmente fazer um novo aeroporto na margem sul daqui a poucos anos, destruindo dois locais. Fazer já na margem sul evita que a Ota seja destruida.
No seguimento de alguns mails que recebi, vejo-me forçado ao penoso exercício de declarar que o texto do meu comentário das 4:44 pm pretendia ser uma paródia...

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