Paquistão – Uma ameaça global


O mundo está cada vez mais inseguro. As ogivas nucleares estão ao alcance de qualquer ditador e de todos os alvos. Não há boas mãos nem países de confiança, mas o perigo é maior quando a fome, o desespero e a fé se juntam numa mistura explosiva potenciada pelo ódio.

No Paquistão, o presidente Pervez Musharraf acaba de declarar o estado de excepção para evitar que, dentro de dias, o Supremo Tribunal se pronunciasse sobre a legalidade da sua recente reeleição e promete, a partir das próximas eleições gerais, previstas para Janeiro de 2008, a restauração das liberdades democráticas, como se pudesse restaurar o que nunca existiu e acaba de impedir.

No Paquistão só existe um poder – o militar –, acossado por bandos tribais que detêm armas sofisticadas, relações de poder medieval e a convicção inabalável de que podem destruir os infiéis. É aqui que a civilização, os países democráticos e os bem instalados cidadãos do hemisfério Norte se encontram desafiados.

A cumplicidade das democracias com as ditaduras é o pecado original do pragmatismo. No Paquistão o general Musharraf está tão intranquilo como a União Europeia e os EUA. Não há tempo para esperar que das montanhas onde floresce a papoila e o Corão brote o Iluminismo, a Reforma e a Revolução Francesa, e que a cultura helénica e o direito romano influenciem o plágio grosseiro do cristianismo que guia os líderes tribais e religiosos do Islão.

Na Europa, a Guerra dos Trinta Anos foi há quase quatro séculos e terminou, depois de sangrentos combates, com a Paz de Westfália onde nasceu a liberdade religiosa e a modernidade.
Não podemos esperar tanto tempo e nem eles nos deixam esperar.

Ponte Europa/Diário Ateísta

Comentários

Anónimo disse…
Pervez Musharaff e George W. Bush, efectivamente representam uma "ameaça global" individualmente, quanto mais se forem próximos.
São uma autêntica bomba atómica.
Anónimo disse…
Os EUA desenvolvem, desde há dezenas de anos, uma política externa "sui generis".
Têm o vício de criar situações como a do Afeganistão em todo o lado...
"Entram a matar" e não sabem como sair...

Por quanto tempo Musharaff, e a sua clique militar, continuarão a servir os interesses americanos?
Ou quanto tempo falta para o Mundo (dito ocidental) estar envolvido noutro sarilho no Paquistão?
CA disse…
"Não há tempo para esperar que das montanhas onde floresce a papoila e o Corão brote o Iluminismo, a Reforma e a Revolução Francesa"

A Revolução Francesa foi sem dúvida um marco da tolerância e da paz na Europa.

Mensagens populares deste blogue

O Sr. Duarte Pio e o opúsculo

Coimbra - Igreja de Santa Cruz, 11-04-2017