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O Sr. Duarte Pio e o opúsculo
Por
Carlos Esperança
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Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Notícias do dia
Por
Carlos Esperança
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Comentários
Só imposições repressivas, como se pode constatar em Países Islâmicos, poderão fazer "retardar" este processo, mas não o impedirão.
Estas vestimentas tradicionais vão acabar por ficar reservadas para cerimónias protocolares, situações especiais, o que não me repugna. São parte integrante da identidade cultural. Hoje, isso existe, em todo o Mundo, incorporado no folclore tradicional.
Aliás, Caro Esperança, dava uma linda crónica historiar o que "está acontecendo", por cá, com a capa mirandesa...o capote alentejano...
Em sociedades abertas os símbolos duram pouco e substituem-se.
Em sociedades teocráticas, onde a violência institucional se perpetua, as coisas não se passam assim.
Persistem os estigmas e, sobretudo, a subordinação da mulher que é propriedade do homem.
Apesar de tudo - e este tudo como sabemos é a imensa diferença- penso que, mesmo nas sociedades teocráticas, onde a submissão é a regra imposta, o "rasgar" do véu tornou-se irreversível.
Por outro lado, também tenho a noção que este caminho, paulativamente trilhado, será recheado de precalços e violências.
É exactamente isso que há muito tempo tento transmitir e que muito poucos aceitam como realidade.
A proibição do véu não deve ser uma medida isolada, embora possa ajudar a exercer a liberdade de não usar o dito (véu).
Esta questão do véu (mais visível) está entrosada num amplo campo de liberdades que atinge, particularmente, o mundo feminino islâmico.
Existirá, a exemplo da nossa cultura, alguma réstea de um "feminismo islâmico"?
Ou, quando pensamos no estatuto familiar da poligamia patriarcal, na violência selectiva (pública e doméstica) contra as mulheres, na incapacidade prática de usar a liberdade de expressão, na imposssibilidade da denúncia da opressão social e familiar, sentimos que haverá alguma coisa em movimento, como sempre sucedeu na marcha das civilizações.
Mas, realmente, se existe onde está?
- no Mundo mais atento ao islamismo?
- ou, no interior do islamismo?
Uma outra questão, paralela a esta permanece, indecifrável e sem resposta:
É o Islão reformável?
Difícil de responder.
Mas a esperança deveria residir aí, independentemente da proibição do uso de véu...(que é, por assim dizer, a ponta do iceberg).