Lê-se e não se acredita
[... o ex-bastonário Gentil Martins, que lembrou ter desaparecido, de 1961 para cá, "o pagamento do acto médico em que havia a liberdade do doente escolher o médico que quisesse - e o serviço era depois pago" pelo Estado].
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Comentário: Em 1961 eu era professor oficial. Fui para a tropa em 1966 e, até aí, os funcionários públicos não tinham direito a assistência médica paga pelo Estado. Podia escolher-se o médico mas o Estado não pagava. Em 1970, no regresso da guerra colonial, fui surpreendido com a ADSE. Agora sou surpreendido com o delírio do ex-bastonário.
Comentários
Não se espante!
O princípio da liberdade de escolha do médico é a nova arma da Direita e, obviamente, do Sector Privado da Saúde, para atacar o SNS.
Embora seja uma objectivo a prosseguir, num SNS com uma imensa lista de espara cirúrgia de acesso às consultas esternas de especialidade, nesta altura do campeonato, ou melhor com os constrangimentos orgçamentais existentes, não passa, nesta caminhada pelos direitos sociais, de uma questão ética.
Mas, não tenhamos dúvidas, vai ser o cavalo de batalha do Sector Privado da Saúde...na pressão por contractualizações, convenções, parcerias que enfraqueçam o SNS e lhe retirem a universalidade, constitucionalmente consagrada.
Mas o que me custa é ver um antigo bastonário a mentir. Dei o meu exemplo pessoal.
Caro antónio:
É meu colega. Sinto-me no dever de poupá-lo.
Mas, posso acrescentar-lhe, já desabridamente, que - no aspecto político - a ideologia que (publicamente) perfilha ou serve , socorre-se, quotidianamente, da mentira, da omissão, do enredo para obter benesses, mordomias e, sejamos claros, fazer negócios...