A ‘insondável’ distancia entre as manobras preparatórias e as batalhas...


A última sondagem publicada (Expresso/SIC) parece contrariar a percepção que o cidadão-espectador vai construindo com o desenvolvimento da campanha eleitoral para as presidenciais de 2016. Estas projecções referem-se ao período de 7 a 14 de Janeiro link.
É suposto estas estimativas passarem ao largo da percentagem de abstenção (que é sempre alta nas presidenciais) e apresentam um 'volume' de (ainda) indecisos (17,7%), que sendo aceitável nesta altura do campeonato, podem, em qualquer momento, alterar os resultados.

A confortável maioria atribuída a Marcelo Rebelo de Sousa (54,8%) não aparece decorrente de ‘acidentes de pré-campanha’ (de percurso) que tenham ocorrido no desenvolvimento da campanha do candidato 'ganhador antecipado' ou  sido cometidos pelos ‘outros candidatos'.
A convicção empírica é que Marcelo, partindo de uma fasquia tão alta, só pode perder votos. A sondagem revela exactamente o oposto e tal expressão não  lhe confere grande credibilidade, nem verosimilhança.

A vantagem de Marcelo – que é inegável – deve ser entendida como a entrada directa para a ‘pool position’ de um concorrente que testa os motores há mais de 10 anos contra a generalidade dos que só agora estão a aquecer os motores. Marcelo parte com o carro bem equipado, artilhado e rodado mas como se verifica nessas 'corridas' existem muitos imponderáveis e nenhum destes dados podem ser interpretados à letra ou ‘aos números’. Contudo, existe em qualquer acto eleitoral um largo componente 'instável' que é, sociológica e humanamente, ‘insondável’.

Mas verdadeiramente impressionantes são os ‘cenários’ para uma eventual 2ª. volta que se assumiu nestas projecções como um exercício verdadeiramente desmobilizador. Nada se conhece sobre os alinhamentos políticos possíveis ou atingíveis. E esses alinhamentos podem ditar todo o tipo de resultados. 
Não é possível passar a vida tentando passar entre os pingos da chuva. É óbvio que numa eventual segunda volta a campanha vai ser inundada de um maior componente político-partidário e a emergência inevitável fractura esquerda/direita, que os actuais 10 candidatos diluem, surgirá, com todas as consequências.
Todavia, as projecções aí estão para consumo público independentemente de condições concretas e dos inevitáveis novos cenários que uma eventual 2ª. volta, necessariamente, trará. 
Não ficamos a saber se são verdadeiramente sondagens ou aquilo que os ingleses designam por ‘survey’ (acompanhamento). 
As percentagens divulgadas pretendem ‘impressionar’ e por este caminho ‘desmotivar’ os eleitores com um facto consumado, assumindo a 2ª. volta como um ‘desperdício’.

Embora sem querer desvalorizar a realização de sondagens elas, no momento em que aparecem, interessam fundamentalmente às diferentes máquinas em campanha e não podem ser tão impressivas (ou decisivas) para os eleitores, por assentarem em realidades projetadas (passíveis de alimentarem ilusões) ou numa nebulosa vacuidade (política) que o tempo tende a esclarecer e a desfazer.

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