As próximas eleições presidenciais_10



A República é o regime da igualdade perante a lei, onde perdem estatuto diferenciado as classes, clero, nobreza e povo, e a Igreja e o Estado, por razões de assepsia, se separam.

A República renuncia à tutela das religiões e impede a servilismo dos seus dignitários aos membros do clero, repudiando a situação inversa.

Um crente que aspire a representar a República pode genufletir-se no confessionário, no recato de uma igreja, mas não pode alardear manifestações públicas de subserviência.

Um candidato a PR pode rezar o terço dentro de água, em silêncio, a nadar nas ondas do Tejo, mas não deve lamber a mão de um clérigo em exibição pública de servilismo.

A República exige coluna vertebral inflexível a quem a represente.

Comentários

Jaime Santos disse…
Carlos, aqui discordamos. Se fosse como diz, um Presidente católico não poderia ajoelhar-se na missa perante o patrão do clérigo (mesmo que seja um patrão imaginário para os não-religiosos como você ou eu, convenhamos). O Presidente da República não compromete a Soberania da dita perante o altar porque ele é um seu mero representante, mesmo que seja o primeiro entre iguais. O Soberano está noutro lado, sendo o seu corpo constituído por cada um daqueles ou daquelas que tem o poder de eleger o Presidente, como já imaginava Hobbes. Numa Monarquia Confessional, o Soberano verga a espinha perante o altar, numa República Laica pouco importa se o seu/sua Presidente/a o faz ou não...
Jaime Santos:

Agradeço-lhe o comentário e a discordância. No meu caso, a Concordata é um tratado que trago atravessado no meu republicanismo.

A separação da Igreja e do Estado não permite, na forma como eu a encaro, a transformação de um país em protetorado do Vaticano. Aliás, os feriados religiosos vão ser o princípio de uma guerrilha entre religiões num Estado multiétnico.
Manuel Galvão disse…
ESTE beija-mão é um ato político. Um piscar de olho aos católicos portugueses, aonde existem muitos votas a cativar (sobretudo ao centro). Se houvessem muitos muçulmanos para agradar tenho a certeza que este ato era evitado. Estamos em campanha, gente!
Manuel Galvão:

O cardeal lambido continua morto. Agora é um Clemente o cardeal de Lisboa.
Jaime Santos disse…
Carlos, considero que a Concordata não é para aqui chamada. A questão que se coloca é se um político eleito que professa uma religião (mesmo se o Catolicismo de Marcelo é algo heterodoxo, mas isso é um problema dele) pode manifestar em público sinais de devoção à mesma. Eu entendo que pode, de outro modo estaria diminuído enquanto cidadão numa República Laica que não discrimina ninguém pelo seu credo, ou falta dele. Não é o vergar de espinha de Marcelo que me preocupa e sim a seu historial de apoio a causas mais ou menos ultramontanas, ver a última crónica de Isabel Moreira no Expresso...
Jaime Santos,

Na minha opinião, depois de ser PR, se o vier a ser, não pode,tal como não pode continuar a ser presidente do Conselho de Administração da Fundação da Casa de Bragança.

A CRP tem exigências.

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