Quando…a falta de memória nos bate à porta

Quando sabíamos que a Pide fora uma associação criminosa, houve um PM que, “tendo em conta os altos e assinalados serviços prestados à Pátria”, decidiu “conceder o direito à pensão por serviços excecionais e relevantes prestados ao país”, a celerados que foram inspetores da sinistra instituição.

Quando julgávamos que a cumplicidade desse PM no seu último mandato (27-3-92)  era a mancha que o impediria de prosseguir a carreira política, quiseram Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso e Ricardo Salgado, em casa do último, ungi-lo como candidato a PR, dez anos depois. E foi PR durante dez longos e tenebrosos anos.

Quando quisemos esquecer os crimes da ditadura, os assassinatos, a violência policial e a funesta aventura da guerra colonial, deixámos chegar aos mais altos postos do Estado os filhos dos simpatizantes, dos cúmplices e dos próprios ministros da ditadura.

Quando lembrarmos a incúria na vigilância cívica, não teremos sequer direito a queixar-nos. Nem o merecemos. Salazar não precisou de ter filhos.

Comentários

Jaime Santos disse…
Não acho que o problema seja tanto de falta de memória como o de existir infelizmente muita gente que guarda do Fascismo e da Colonização boas memórias. Incluindo infelizmente muitos daqueles que nasceram depois de 74 e que ao invés de estudarem a História, preferem acreditar nas ditas boas memórias da família. Quantos são os que sabem que Salazar, longe de ser o Professor Austero, era antes um crápula assassino? Ou não tivesse a Direita governado o País durante metade do tempo em que vivemos em Democracia. Uma Direita que não prima pelo chá democrático e onde pontificaram muito poucas figuras que se tivessem genuinamente oposto ao antigo regime...
ana disse…
Às vezes penso que durante a ditadura as pessoas tinham mais cultura social e política, embora a maior parte das vezes não tivessem mais do que a 4ª classe. Hoje, que temos acesso a tudo, parece que cada nova geração sai pior do que a anterior. Dói ouvir jovens darem loas a Salazar, que não conheceram, mas cujo retrato os pais pintaram de rosa. E é porque havia mais emprego, e é porque havia mais segurança, enfim, um mar de rosas.O resultado está à vista: cavaco e psd, que já deviam ter ido pelo cano há muito tempo, saem à rua sem cobrir a cara.

ana

Mensagens populares deste blogue

Nigéria – O Islão é pacífico…

A ânsia do poder e o oportunismo mórbido

Macron e a ‘primeira-dama': uma ‘majestática’ deriva …