A Visão, a comunicação social e a PGR

A Visão desta semana revela, ao longo de 20 (vinte) páginas, esquemas de corrupção de tal modo escabrosos que deviam ser motivo de um sobressalto cívico relativo às teias de interesses que os municípios tecem.

Foram anos de investigação jornalística que os outros órgãos de comunicação ignoraram depois da saída da revista. Espera-se que a PGR, agora que estão politicamente mortos os que nomearam a atual titular, Paula Teixeira da Cruz, Passos Coelho e Cavaco Silva, não há razão para que se repitam investigações, aparentemente frouxas, como as levadas a cabo a Dias Loureiro e ao BCP que não se sabia onde poderiam acabar.

Os factos apurados pela Visão comprometem personalidades de muito poder, mas débil relevo social, para além da dupla Marco António e Luís Filipe Meneses. São os autarcas de uma determinada região do país, que, a serem provados os factos revelados, geraram um polvo de tentáculos colossais.

Das faturas falsas às empresas criadas em caixas postais para iludir o fisco; das relações entre autarcas e a gente do submundo da publicidade eleitoral; dos negócios simulados à manipulação de contas bancárias, de pagamentos de eventos inexistentes até às falências fraudulentas das empresas criadas para transferir verbas das tesourarias dos municípios para fins eleitorais, há de tudo. É um mar de lama e opróbrio.

Os factos estão referidos e não pode suceder que a PGR se alheie da investigação de tão extensa e intensa rede de crimes que endividaram Câmaras e enriqueceram autarcas.

Quero continuar a confiar na Justiça ainda quando, quiçá por razões ideológicas, possa pensar que o peso dela se desloca para um dos lados do espetro partidário.

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