O cavaquismo, a liberdade de expressão e a cidadania

Quarenta e oito anos de ditadura deixaram marcas que geraram alterações genéticas nos portugueses. A dificuldade em aceitar opiniões alheias é a herança de várias gerações de bufos, rebufos e gente videirinha.

O cavaquismo, caracterizado pela indigência intelectual e a nostalgia do salazarismo, foi o pântano onde sucumbiu a liberdade e o gosto pela discussão política. Esta passou a ser vista, de novo, como a lepra que envenena a paz social e condena o país. O oportunismo e o medo fizeram regredir a dinâmica democrática, a reflexão livre e a coragem cívica.

Hoje confunde-se a divergência política com a aversão pessoal, a opinião com a ofensa, os adversários com os inimigos. O cavaquismo é um salazarismo em liberdade, tendo a incultura como modelo e o retrocesso democrático como meta.

Não conheço na História europeia quem com tamanha mediocridade tivesse chegado tão longe e conseguisse influenciar durante tanto tempo, já não digo o pensamento, por falta dele, mas o seu condicionamento.

Quem preferiu os Pides a Salgueiro Maia, quem censurou, por intermédio de um Sousa Lara, Saramago, e quem foi capaz de uma intriga para desacreditar um PM, nunca seria homem de Estado, mas apenas um alto figurante da indigência nacional nos mais altos cargos.

Podia, pelo menos, esclarecer aquela ficha da Pide, o processo de aquisição da casa da Coelha e as transações de ações da SLN, sem cotação na Bolsa. E ainda lhe faltavam muitos outros esclarecimentos que lhe comprometem a imagem, certamente de forma injusta.

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