Ninguém percebeu Cavaco Silva - Crónica leve

O ex-PR com o passado e prazo de validade extintos, foi à madraça de Castelo de Vide para fingir que estava vivo e enganou toda a gente.

Os portugueses, conhecedores da índole do ‘mísero professor’ (expressão sua) julgaram que atacava o Governo português, e Passos Coelho, sem perceber o que ouviu, julga que encontrou nele um defensor, sem se dar conta de que só podia prejudicá-lo.

Até o inteligente e culto PR, Marcelo, julgou insultuosa e boçal uma referência como se fosse ele visado.

Quando disse: “Fake news políticas também existem em Portugal e não só na América do senhor Trump”, não condenou as notícias falsas, de que é especialista, nem Trump a quem não se permitiria beliscar.

As pessoas retiraram do contexto as frases da pobre homilia que debitou e julgaram que a raiva e o ressentimento eram para a política autóctone e os seus protagonistas. O que Cavaco Silva disse foi que a saída da UE e do Euro era o caminho para colocar um país ao nível da Venezuela.

Cavaco é um cosmopolita que conhece a alfarroba de Boliqueime, as cagarras das Ilhas Selvagens e o sorriso das vacas açorianas, além de ter frequentado a Universidade de Iorque no Reino Unido e de ter estado num Festival de Salzburgo, a expensas da Nestlé, quando era PM. Não é um anacoreta como o seu paradigma de Santa Comba e, por isso, ele falou para o Mundo, que, se não soube ouvi-lo, tanto pior para o Mundo.

Como o governo português reiteradamente afirmou a sua fidelidade ao euro e à UE, só podia referir-se ao Reino Unido. A sua crítica foi ao Brexit e à desmiolada Senhora May e não a António Costa, e jamais censuraria o PR, que os portugueses estimam, apesar de lhe ter outorgado o mais alto grau da Ordem da Liberdade, uma irreverência que levou a sério. Quem Cavaco quis atingir foi a rainha de Inglaterra.

Enganou-nos bem. A todos.

Comentários

e-pá! disse…
Passos Coelho, hoje, no encerramento do ‘meeting de Castelo de Vide’ (chamemos-lhe assim) tentou esconder a incapacidade política do PSD na Oposição por detrás de um fantasma – Cavaco Silva link.
Começou por afirmar que o ex-PR tem ideias “muito próximas” do actual PSD. Uma verdadeira redundância. Os portugueses já o tinham notado – e sentido – no malfadado período de 2011 a 2015 em que coabitou com o Governo Passos Coelho/Portas.
E embalado acrescentou, interrogando-se:
Como é possível alguém indignar-se por apresentar a sua [cavaquista] visão crítica da política?”.
A questão é absolutamente deslocada e supérflua. A indignação nada tem a ver com as visões cavaquistas mas com as motivações da ‘aparição’. Estamos quase como na questão dos pastorinhos de Fátima.
Cavaco Silva deveria ter perdido o ‘pio’ no dia 9 de Março de 2016 (data em que terminou o mandato presidencial).
E o PSD deveria ter o mínimo pudor, ou a sensatez, para não confiar a sua estratégia oposicionista a um ‘cadáver político’.
Só falta o PSD vir afirmar que Cavaco saiu pela porta grande. Na realidade – e usando uma linguagem teatral – saiu pela direita baixa.

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