Passos Coelho: Um primeiro-ministro embuçado...

A errática postura de Passos Coelho durante o   XX Governo Constitucional sempre soou a estranho, para não dizer, a falso. Mostrando-se incapaz de fazer uma oposição satisfatória (para o seus apaniguados) demitiu-se de estudar os problemas, analisá-los e arquitetar alternativas.
Pesa nos seus ombros e  na sua consciência a triste máxima que usou para o seu Governo. Continuará a acreditar que 'não há alternativas'?
 
Passos Coelho tornou-se, pela notória incapacidade, um fracassado líder da Oposição transformando-se num medíocre comentador da acção governativa e, ainda, um desbocado anunciador de demoníacas desgraças.

Esta notória incapacidade que o paralisa e o faz cair no descrédito teria de ter uma razão de fundo. Resolveu, agora, acreditar num 'sebastianismo bacoco' e augura [perante os seus partidários e simpatizantes] um auspicioso dia de nevoeiro que ocorrerá em 2019. 
 
Ontem, soubemos quais as bases de um tão descabido comportamento.
Num jantar comício em Paredes integrado na campanha das autárquicas um jovem JSD – Ricardo Santos - revelou: “…para esta gente [simpatizantes e militantes do PSD] és e continuarás a ser o nosso primeiro-ministro!link.
 
Perante a silenciosa aquiescência do empossado nestas 'funções-fantasma' e prosseguindo a dolorosa ficção do ressabiamento, finalmente, percebi qual a razão por que [o destinatário] continua a ostentar na lapela um pin com a bandeira de Portugal (que aí colocou quando desempenhou funções de primeiro-ministro).
 

Comentários

Jaime Santos disse…
Claro que PPC se comporta, ainda e sempre, como o Primeiro Ministro no exílio, que continua a arrostar contra a 'usurpação', conseguida pela convergência das Esquerdas, a quem os Portugueses, fartos dele e de Portas, deram a maioria. A concepção presidencialista do cargo de PM, fruto da tradição governativa de Governos liderados pelo Partido mais votado (e que não encontra qualquer fundamentação jurídica na CRP, claro, como Cavaco foi obrigado a aceitar tarde e a más horas) ajudou à festa. Até nisso, na devolução do Poder primariamente à AR, que é onde ele deveria ter estado sempre, a experiência da 'Geringonça' corresponde a uma inovação desejável e higiénica da nossa tradição política pós-76. O nosso sistema eleitoral é proporcional (e deveria sê-lo mais ainda) e no entanto PS e sobretudo PSD sempre almejaram governar à inglesa... Finalmente, temos um Governo à dinamarquesa ou à holandesa, onde os votos de todos eleitores contam, e não apenas os do 'arco do poder'. Enfim, os votos dos eleitores de Direita não contam, mas isso é por manifesta inépcia de PPC e de Cristas, como se vê pelas sondagens... A Direita precisa urgentemente de uma vassourada, a bem da própria democracia, da vigilância do Governo e da construção de uma alternativa fiel aos valores dos PSD e CDS originais, e não a este albergue espanhol onde até há lugar para trumpistas à portuguesa...
e-pá! disse…
Ainda hoje num debate televisivo (com Ana Gomes) ouvi Nuno Morais Sarmento, ao comentar as eleições autárquicas que se aproximam, afirmar que as mesmas seriam - no plano nacional - 'atípicas', porque o eleitorado estava perante um 'governo não eleito'...
Não sei onde a Direita foi buscar esta conceção de 'eleição do Governo'.
Nunca votei para eleger um governo... e tenho participado em todos os atos eleitorais.
Jaime Santos disse…
Está como eu, que pensava que os Governos eram nomeados pelo PR depois de ouvidos os Partidos com representação parlamentar, como diz a CRP. É esse também o defeito do PSD. Habituou-se de tal maneira a desrespeitar o nosso texto fundamental, que já não se lembra do que lá está escrito, que é também da sua lavra, note-se...

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