Notas Soltas - Janeiro/2009
Acordo Ortográfico –
PR – Depois da infeliz omissão de felicitações a Carlos César, após a vitória eleitoral nos Açores, das críticas ao Governo e da contestação de legítimas decisões da AR, parece um candidato à liderança da oposição de direita.
Eslováquia – No 10.º aniversário da moeda única, a adesão do 16.º país, com os critérios de convergência cumpridos – défice, inflação e taxa de juro –, mostrou que a União Económica e Monetária é um êxito, à espera da convergência social e política.
União Europeia – À crise financeira, económica, social e política, que se agravará no ano em curso, juntou-se a presidência checa. Um mal nunca vem só mas o último dura apenas seis meses.
Israel – A ofensiva contra a faixa de Gaza foi desmedida e beneficiou, com a morte de crianças e civis, os terroristas do Hamas que não hesitam em sacrificar o seu povo para manterem o poder e imporem a sharia.
Francisco Lucas Pires – Recordo com saudade a nossa adolescência e as longas conversas na pequena aldeia da Beira – Vila Fernando –, agora que o Parlamento Europeu justamente o homenageou. O tempo mostrou a falta que faz.
George W. Bush – Nunca antes alguém suscitou tamanha hostilidade e poucos fizeram tanto por merecê-la. Terminou o pesadelo do presidente que falava com Deus, renasce a esperança com quem é capaz de dialogar com o Mundo.
Ban Ki-moon – O secretário-geral da ONU foi uma das raras individualidades que manteve sob pressão os beligerantes israelitas e o Hamas, com o desejo veemente de pôr fim ao conflito.
Barack Obama – A posse do 44.º presidente dos EUA foi vivida com ansiedade, mesmo por aqueles que aguardam a primeira oportunidade para condenarem a América e o seu presidente, todos fartos de quem sai e à espera de milagres de quem chega.
Dick Cheney – Na cerimónia de posse de Obama, o ex-vice-presidente, em cadeira de rodas, com a coluna torcida a arrumar caixotes, funcionou como metáfora poderosa do período histórico em que foi ele o ideólogo.
Coreia do Norte – Numa das mais sinistras ditaduras, Kim Jong-il designou o filho, Kim Il-un, de 25 anos, para lhe suceder. Vai na terceira geração de biltres a única dinastia comunista da história, inaugurada por Kim Il-sung.
Casamentos gay – Há quem confunda direitos com obrigações. A futura lei só igualará direitos, sem discriminação sexual, como manda a Constituição, indiferente a juízos morais.
TGV – A infeliz ideia de que Portugal deve ficar arredado da rede de alta velocidade pertence a Manuela Ferreira Leite, esquecida de que se comprometeu com cinco itinerários quando ministra das Finanças.
Vaticano – O levantamento da excomunhão ao defunto bispo integrista Marcel Lefebvre e aos seus seguidores é o enterro do Concílio Vaticano II e a ressurreição do de Trento. João Paulo II condenou, Bento XVI, igualmente infalível, absolveu.
Fernando Amaral – Faleceu aos 83 anos o antigo presidente da Assembleia da República, insigne democrata e um dos últimos sociais-democratas que se orgulhou do cravo de Abril, saneado da política activa no advento do cavaquismo.
Paraísos fiscais – Não há tráfico de droga, material de guerra ou corrupção que não acabe nos offshores onde se lava o dinheiro e se suja a honra. Até quando os Estados protegerão tais antros?
Sigilo bancário – Só a abertura das contas ao escrutínio da administração fiscal permite o eficiente combate à fuga ao fisco mas a medida terá de ser tomada a nível global para evitar a concorrência desleal e a evasão de capitais.
Viana do Castelo – Apesar da retumbante vitória do presidente da Câmara socialista (62,2% ) provou-se uma vez mais que os referendos não suscitam o interesse dos eleitores (69,2% de abstenções) quer sejam a nível nacional ou local.
Bolívia – A vitória no referendo pode legitimar um segundo mandato de Evo Morales e as alterações constitucionais mas a equivalência entre a justiça tradicional indígena e a justiça comum abala o Estado de direito, incompatível com a tradição tribal.
EL PAÍS – O prestigiado jornal espanhol comparou Alberto João Jardim ao coronel Muammar Kadhafi sem que o líder supremo da Líbia, no poder há 39 anos, tivesse reagido à injúria.
Freeport – O caso de há quatro anos voltou à ribalta, do mesmo modo, e ocorreu-me a frase atribuída a um general romano que combateu na Lusitânia: «Este povo não se governa nem se deixa governar». E não esqueci a canalhice contra Ferro Rodrigues.
Comentários
A tragédia humanitária que atingiu a faixa de Gaza (eu sei que o Hamas, lançava diariamente rockets contra Israel...) foi acompanhado de uma bárbara política de "terra queimada", do tipo Gengis Khan, onde não ficou pedra sobre pedra.
Agora a União Europeia comprometeu-se a pagar a reconstrução das infraestruturas destruídas...
Depois, Ehud Olmert - ou quem lhe suceder no Governo israelita - volta a desencadear outro devastador ataque - o motivo é sempre o mesmo: a segurança de Israel - e, de novo, a UE volta a reconstruir o património material e as infra-estruturas porque, as vidas de milhares de palestinos, palestinas e crianças acabaram, para sempre...
Pergunta:
Nestes tempos de crise económica e social, os cidadãos europeus, não terão mais nada que fazer do que contribuir para este peditório?
Penso, que este cíclico esforço europeu está em vias de extinção.
Basta olhar para a evolução dos mapas de Palestina e Israel desde 1917 a 2006.
Hoje o território palestino está, ainda, mais reduzido! Não resta praticamente nada!
Vejam:
link
Já agora mostre o mapa da Europa em 1917...
Gravíssimo é que Israel de 1993 a 2009 tenha aumentado em 120% o número de pessoas a viver em colonatos.
Este é o ano da verdade para Israel. Ou bem que com Obama e com o Hamas e o Hezbolah relativamente enfraquecidos criam o Estado da Palestina ou então cairão definitivamente no cinismo do status quo...
O mapa de 1917 tem pouca importância para a actual situação da Palestina.
É um mapa que diz respeito à I grande Guerra e à derrocada dos Grandes Imperios: alemão, austro-hungar e russo.
No Médio Oriente, representa o desmebramento de outro Império: turco-otomano.
A Palestina, em 1917, estava sob o domínio otomano.
Mas isto são os primórdios da definição territorial.
Depois disso, há a criação do Estado de Israel em 1947 e, pelo meio, cinco guerras israelo-árabes...
Depois vem a resolução 242, das Nações Unidas, decorrente da "Guerra dos 6 dias", que ordena a retirada de Israel dos territórios ocupados e a resolução do problema dos refugiados.
Israel não cumpriu esta resolução, como ignorou outras 62 resoluções aprovadas pela ONU.
Pode fazê-lo.
Tem, para isso, o apoio dos EUA e a inoperância do resto do Mundo.
As recidivantes incursões bélicas aos Estados limítrofes e no interior do território têm, sempre, a mesma justificação: a segurança do Estado judaico.
Ocupou extensas porções de território à volta dos limites definidos em 1947.
Alguns como os Montes Golã e a Peninsula do Sinai, devolveu-os à Síria e ao Egipto, sob pressão internacional.
Hoje, o problema é o seguinte: quer a Al Fatah, quer o Hamas, aceitam o mapa de 1967.
E Israel?
Bem. Construíu um "muro" (da ignomínia)na Cisjordânia, como lhe apeteceu e entendeu e continua, impávida e serena, à "colonização judaica" deste território.
Ou seja, procede de acordo com o grande desígnio dos movimentos sionistas - o Grande Israel.
Esta "doutrina", a par da "não-criação" de um Estado Palestiano, sempre justificada por variados argumentos, é o grande problema da região.
Não é o mapa de 1917!
Entretanto, justifica as devastadoras manobras bélicas pelo "não-reconhecimento" do Estado de Israel, pelos grupos extremistas árabes, entre os quais o Hamas. O busilis é que os dirigentes do Hamas estão dispostos a reconhecer Israel, embora recusem a manter relações diplomáticas.
Vão aparecer, estou certo, outros obstáculos, a não ser que, a política de Obama para o Médio Oriente, tenha força suficiente para contrariar o lobby judeu americano.
A questão actual é:
para quando os reconhecimento mútuo de dois Estados na Palestina, segundo o "desenho" de 1967?
antigos países como Yugoslávia e Tchecoslovakia nasceram sob escombros
dos impérios austro-hungaro e otomano.
Não para chafurdar nos "encontros" no Min do Ambiente, nos mails trocados daqui para ali ou vice-versa, da ZEP integrada no programa Natura, nas "luvas" que voaram por muitos offshores sem parar, nem deixar rastro, etc..., isto é, de tudo o que tem feito as delícias da comunicação social...e nos vão entediando, ou distraindo, enquanto a crise teima em persistir.
Ah! esquecia-me da famosa "carta rogatória" emitida por um departamento especial de investigação do Governo de Sua Majestade.
Era exactamente aqui que eu queria chegar.
Hoje, sou confrontado, por uma notícia que, para um provinciano das Beiras, mais parece uma vingança, ou uma desforra (imprevista).
O tal departamento especial de investigação de coisas complexas e fraudes mutio importantes (e sérias!) que emitiu a tal "carta rogatória", cujo conteúdo circula por alguns blogs da nossa praça, de seu nome Serious Fraud Office, acaba de dispensar - segundo noticiou o Sunday Times - dezenas de funcionários, por alegado favorecimento pessoal e incompetência.
Nem mais, nem menos!
A investigadora de tão reputado departamento de investigação (de casos chatos, não é?), Jessica de Gracia [*], disse ter ficado com a percepção de que o Serious Fraud Office não passava de um "clube de velhos amigos"...
Ora, disso temos cá para dar e vender. Sempre valorizamos demasiado esta eterna Aliança...
Por respeito pelo Governo de Sua Majestade, nosso par na UE, ocorreu-me um ditado português, muito usado no popular jogo de cartas nacional - a lerpa , que me parece apropriado:
Pôrra...só me saiem "duques"!
[*] - Um nome muito latino, pouco credível para um reino anglo-saxónico.
Não será melhor começar a investigar?