ANGOLA: da exuberância de hoje aos ocultos medos do amanhã …

Hoje, em Luanda [e em várias cidades do País], realizaram-se grandes manifestações, convocadas pelo MPLA, de apoio a José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, há mais de 30 anos.

A realização destas manifestações é uma resposta organizada (e antecipada) a uma convocatória que circula no País através das redes sociais da Internet, convocando os angolanos para uma manifestação de protesto, marcada para o dia 7 de Março. E o expresso apoio a José Eduardo dos Santos, na manifestação de hoje, surge porque a “convocatória fantasma” tem um alvo: “a ditadura JOSEDUARDIZADA” (ver reprodução do cartaz).
Esta semana o Governo Angola e quadros do MPLA multiplicaram-se em declarações. Todas no sentido de desvalorizar e esvaziar a manifestação de protesto.
Roberto de Almeida, vice-presidente do MPLA, foi à televisão pública onde declarou: “Nós estamos num processo delicado, porque nós temos de cuidar de cicatrizes depois de uma longa guerra mortífera e destrutiva”. De seguida enumerou uma longa lista de trabalhos de reconstrução levados a cabo pelo MPLA desde o fim da guerra, em 2002. http://www.jeuneafrique.com/actu/20110305T183135Z20110305T183129Z/angola-plus-d-un-demi-million-de-manifestants-pro-dos-santos-a-luanda.html


É difícil prever o que acontecerá na próxima 2ª. feira em Luanda. As sequelas de uma guerra civil tão prolongada, trágica e sangrenta são, de facto, um travão para aventuras.
Muito embora o percurso histórico de Angola não seja sobreponível ao dos países do Norte de África, a situação política – que vigora há 9 anos (desde o fim da guerra) – tem muitos pontos de contacto com o que se está a passar no Magreb. Ou seja: um presidente em exercício - pleno de poderes - sem legitimidade democrática [eleitoral]; um parlamento esvaziado de poderes; uma constituição condicionada e bloqueadora de alternativas democráticas; um restrito círculo familiar e militar (oligárquico) que, gravitando à volta do Presidente, domina a Economia do País; um intolerável gradiente de corrupção governamental, etc.

A projectada manifestação convocada para 7 de Março poderá ser um mero aproveitamento da “onda magrebina", logo, uma manobra sem sustentação política e social. Ou, devemos admitir, o fermento de um levantamento antigovernamental. Na verdade, visível é a "construção" de um ambiente intimidatório contra o exercício de direitos de cidadania, por parte do Governo angolano, com o apoio do partido do Poder.

Será necessário esperar 48 horas… para escutar o palpitar de um País [com restrições à Liberdade de Imprensa…].

De qualquer modo, os acontecimentos de hoje – sejam quais forem os números “oficiais” de manifestantes - não conseguem mascarar o nervosismo que [já] assaltou o poder instalado em Luanda e o incomoda.

Comentários

seu ....eh pá as crenças que voismecê tem

um regime que suportou uma guerra civil de 30 anos em que massacrou

2 milhões da sua própria população

e que violentamente reprime pequenos motins

ia ser derrubado por uma multidão desarmada?

Angola não é a Líbia

há 10 anos havia um contra poder

para apoiar uma revolta popular

adonde
e-pá! disse…
Manifestação em Luanda “cancelada”link; link; link .

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