O PR e o PREC (Processo Reaccionário Em Curso)

Está em curso uma tentativa de contra-revolução constitucional, não uma simples mudança de Governo, nas piores circunstâncias.

Os corifeus da direita não escondem o desamor pela Constituição da República Portuguesa e o apetite que lhes desperta controlarem o Governo, o Presidente da República, o Parlamento, a maioria dos municípios e dos deputados europeus. É o açambarcamento de todos os órgãos de decisão enquanto procuram o domínio de todos os órgãos de comunicação.

É com tristeza e preocupação que vejo a esquerda, à esquerda do PS, fazer parte da tenaz que impediu a governação e, tal como a direita, se recusa a apresentar uma alternativa credível.

Não se pode levar a sério quem exige aumentos de salários, pensões e benefícios sociais sem dizer onde estão os recursos e como se podem obter.

A demagogia tomou conta da política portuguesa. Ninguém fala da crise internacional que nos atingiu como se a mesma fosse fruto da incúria ou incompetência do Governo português.

Os discursos do PR, o da débil vitória eleitoral, o de posse e as declarações posteriores avulsas, revelam um homem ressentido e vingativo que não augura nada de bom. Os portugueses têm o direito de continuar a pedir-lhe esclarecimentos sobre o caso das escutas (aparentemente uma intriga partidária), sobre as acções do BPN e sobre o negócio da casa da Coelha. Não podemos desconfiar do mais alto magistrado da nação que parece ter alinhado o seu discurso e comportamento com os interesses da pior direita.

Uma coisa está obrigado este PR a fazer: respeitar e fazer respeitar a Constituição da República Portuguesa que recentemente jurou. Os portugueses não lhe faltarão com o respeito a que são obrigados mas não podem dedicar-lhe a estima que não souber merecer-lhes.

Comentários

aires disse…
excelente sintetico conciso do que esta em jogo...
abraço
Eu que estou na Holanda desde 1964longe da Pátria-Mãe p'ra mim madrasta,direi como operário(estou pensionado há 26 anos)que acho justo exigir melhores salários para
os Trabalhadores,e pensões de velhice para enfrentar a pobreza
que grassa em Portugal,e que isso
seria possível se não existissem tantos galifões a receber,sem pejo,
escandalosos ordenadões e se não
estivessem tantos Militares no estrangeiro ao serviço da Horda mercenária da Nato,apesar da Crise
e da Dívida Pública.Infelizmente os Partidos PS;PSD e CDS/PP que formam a Direita,são êles que estão
na Ponte de Comando da Nau Portugal
e o Povo lá vai cantando e rindo,
levado à certa e confiante em Deus,
esperando que àmanhã Deus dará,como
ensina o senhor Abade.
JGC:

De facto, a governação tem sido muito à direita mas, infelizmente, é bem pior a que aí vem.

Abraço.
aires disse…
os sobressaltos civicos tem suas peculariedades e podem não ser exactamente assim...

os fenomenos sociais, sabe-se mais ou menos, como começam,

mas raramente se sabe como terminam...

e para quem... terminaM...

abraço
Miguel disse…
É verdade que houve uma crise internacional, e também verdade que este governo (e respectivo partido) não se mostrou à altura de uma crise. Aliás, há que reconhecer à crise esse mesmo mérito, o de ter posto a nu a mediocridade reinante. Dizes que a demagogia tomou conta da política portuguesa, por ninguém falar da "crise internacional que nos atingiu como se a mesma fosse fruto da incúria do governo português". E não cais na mesma demagogia ao fazer esse reparo sem acrescentar nada a respeito da incúria do governo? Claro que sim.
Quanto aos apetites dos "corifeus da direita" revelados no teu primeiro parágrafo, diferem assim tão grandemente dos apetites socialistas? Não se trata de mais demagogia?
Acusar a "esquerda à esquerda do ps" de "ter feito parte da tenaz que impediu a governação" assim dito por dizer, sem contextualizar, aprofundar... não é demagogia?
Pedir esclarecimentos a cavaco a respeito do caso das escutas, da casa da coelha, sem pedir os mesmos esclarecimentos a respeito dos mil e um casos de mau cheiro que exalaram do sócrates e companhia... não é demagogia?
Numa coisa tens razão: a demagogia tomou conta da política portuguesa. Até as bases, supostamente mais descomprometidas, mais livres para um pensamento livre e sua livre expressão se deixam dominar por ela.
Tio carlos, uma pergunta simples: não acreditando tratar-se de um caso de cegueira aguda, qual a razão para tamanho comprometimento? Mais pareces aqueles adeptos fanáticos de um clube futebolístico que mesmo depois de verem vezes sem conta a repetição do lance, contra todas as evidências, continuam a afirmar "foi penalty!". Andaram uns a lutar para que todos pudessem desfrutar da livre expressão e... agora que podes, prescindes.
Gostaria de compreender!

Cumprimentos

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