Os países islâmicos despertam

De Marrocos ao Bahrein, do Egipto ao Irão, em todo o mundo árabe e não árabe, subjugado pelo Islão, surgiram exuberantes manifestações democráticas que apanharam de surpresa os Governos locais, as mesquitas, as madraças e os países ocidentais.

As informações que nos chegam mostram uma genuína sede de liberdade em países onde a cultura e a informação entraram através da Internet e das universidades, criando condições para desafiarem regimes obsoletos e uma religião implacavelmente desumana.

Da forma como se esmagam as aspirações populares pudemos dar-nos conta através da intervenção das forças armadas sauditas que afogaram em sangue a entusiástica mobilização popular do Bahrein.

Na Líbia o esmagamento dos manifestantes só não foi total porque uma descoordenada aliança dos EUA, NATO e Europa avançou para uma aventura humanitária que parece não ter previsto até onde podia ir e quando devia terminar. Mais uma vez, a Europa mostrou ser um anão, abrigado sob o guarda-chuva dos EUA e sem uma política externa comum e coerente.

Enquanto o petróleo ameaça atingir preços incomportáveis, agravados pela tragédia japonesa, a ebulição dos países islâmicos não parece encaminhar-se para a criação de estados laicos e democráticos mas para mudar de protagonistas com novas ditaduras sob o olhar atento dos sequazes de Maomé.

As eleições do Egipto, um barómetro dos países islâmicos, parecem encaminhar o país para a reincidência num Estado confessional menos indulgente com as minorias religiosas e o toucinho.

Quando esperávamos afloramentos iluministas, não está garantido o ponto de não regresso às cinco orações diárias obrigatórias e à não discriminação das mulheres. Os arcaísmos teocratas podem barrar o caminho à democracia. A posse das mulheres e o horror à laicidade podem levar as aspirações de liberdade a sucumbir perante banhos de sangue e a frustração de mais uma geração. Os países islâmicos despertaram para a liberdade mas podem regressar ao cemitério da opressão.


Ponte Europa / Sorumbático

Comentários

aires disse…
assim parece ser de factu

felizmente...

que os deuses sejam louvados...

abraço
Pois o Maomé também foi beber nas
fontes judaico-cristãs,embora não tivesse recebido do Padre Eterno,
como Moisés,as Tábuas da Lei,êle
todavia recebeu dum mensageiro de Deus,o Corão.Suponho que ainda vai
demorar talvez mais de um século,a libertação dos maometanos.Pois até os judaico-cristãos ainda não se
libertaram dos Vigários de Cristo,
os quais continuam de mãos dadas
com os Poderosos que detéem o
Governo do Mundo,pois êles sabem
que a Religião é o ópio do Povo,
que êles querem submisso,de joelhos
de cabeça no chão e cu p'ró ar.
Manuel Galvão disse…
Para mim estas revoluções têm mais a ver com ao aumento brutal das "comodities" alimentares...

A fome é a mãe de todas as revoluções.

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