O PEC 4 ou o "quixotismo" luso na UE …

Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças, anunciou, durante a manhã, perante um clima de grande instabilidade política e social, mais um PEC. Bem, não foi propriamente um PEC, mas um PE. Ninguém vislumbra o mínimo estímulo ao crescimento económico, portanto, o “C” está a mais. A única coisa a crescer são as duras medidas de austeridade, o galopante desemprego, o aprofundamento das desigualdades sociais… link

Não vamos enfatizar, nem dissecar, as consequências políticas e sociais, de âmbito doméstico que, mais um programa de medidas de austeridade, necessariamente, levantará.
Na realidade, trata-se de mais um pacote com novas medidas cuja finalidade é impressionar a Comissão Europeia, o Conselho Europeu e o BCE. E, paralelamente, “sossegar” os mercados.

Estas medidas [de hoje] conseguiram arrancar felicitações de Durão Barroso, de Angela Merkel e de Jean-Claude Trichet. Mas estas loas já não impressionam os “mercados”. Logo após este anúncio os juros das obrigações portugueses, a 5 anos, subiram para a taxa recorde de 8%! link
De facto, os mercados já não se acalmam com declarações. Só “sossegarão”, i. e., abrandarão a voracidade da especulação se, na próxima segunda-feira, o BCE aparecer a comprar obrigações portuguesas, nos ditos mercados. Esta a titânica luta do Governo português em Bruxelas.

Só que o Conselho Europeu está interessado em aprovar um novo Pacto, desta vez, para a Competitividade. O que traduzindo por miúdos representam mais medidas restritivas, como p. exº., moderação salarial, indexação da idade da reforma à esperança média de vida e desenvolvimento de uma base fiscal para as empresas, etc.
Perante um clima de tantas incertezas o que já foi decidido? Naturalmente, o pacto de competitividade como anunciou, há poucas horas, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. link

Aliás, Merkel, a par dos elogios das recentes medidas portuguesas de austeridade a que chamou pomposamente de “grandes reformas” (!), de corajosas, não perdeu a ocasião para ser bem explícita em relação à flexibilização do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e quanto ao serviço da dívida. Afirmou: “… cada País é responsável pelas suas próprias dívidas”. link / link Este facto significa que a chanceler vetou os “eurobonds”… provavelmente a nossa mais eficaz porta de saída [da crise]. link

É cada vez mais prevalente a sensação de que o Governo português enveredou por caminhos quixotescos. Que esgrime as suas forças contra moinhos de vento. Com uma substancial diferença: D. Quixote de La Mancha ia montado no seu dócil Rocinante e o Governo chega a Bruxelas cavalgando o infortúnio do povo português...

Comentários

JM Correia Pinto disse…
O PS só tem uma saída se não quer cavar a sua sepultura: correr com Sócrates já! Se o não fizer, se continuar narcotizado pela conversa de Sócrates está perdido como partido.
O que Sócrates acaba de fazer é inqualificável tanto no conteúdo, como na forma.
O silêncio é cumplicidade. Mas não pode ser falar por falar. Tem de ser falar para agir.
Estará o PS à altura deste desafio? Poucos acreditam que esteja. Cabe ao PS desmentir a maioria.

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