Erros [políticos] formais, trânsfugas & laissez-faire… = eleições à porta!


Sexta-feira, no debate da AR, Governo e PSD dirimiram múltiplos argumentos tentando exorcizar a paternidade da crise, como se esse facto fosse o mais relevante para o País. Na realidade, não o é. Essa investigação de paternidade poderá ser importante para as estratégias eleitorais dos partidos do chamado “arco do poder”, mas não esclarece a situação em que estamos envolvidos e os custos de mais uma crise [a acrescentar às outras].

A dificílima situação financeira, orçamental e económica do País tem sido sustentada com “balões de oxigénio”, tentando influenciar investidores e acabando sempre ao sabor dos humores dos mercados, perante esfíngicas reticências dos parceiros europeus que, variadas vezes, oscilaram entre sub-reptícios aconselhamentos no sentido da imediata solicitação de ajuda externa e as solenes afirmações de que Portugal será capaz de resolver os problemas sozinho.

O PEC IV seria o próximo balão de oxigénio para garantir o controlo orçamental de modo desafogado [através da flexibilização do Fundo Europeu de Estabilização Financeira], na esperança de melhores dias.
Acabou, à custa de vícios formais, alguma inépcia política e compromissos laterais por fornecer o pretexto necessário para o despoletar da crise …

A crise política surge, em primeiro lugar, porque não há – sob a governação do PS – outros parceiros políticos para assumirem um programa com a dureza e impopularidade do anunciado PEC IV. No Centro/Direita, o PSD desertou porque achou que era o momento azado e o CDS vive submersos sonhos. Os partidos à Esquerda do PS nunca estiveram neste campeonato. O PS sozinho não chega. O PR – campeão da estabilidade – desencontrou-se com a magistratura activa e adoptou uma nova postura: laissez faire, laissez aller, laissez passer…
Logo, o que há de novo é a “trânsfuga” do PSD e a passividade do PR.

As sucessivas abstenções do PSD já indiciavam isso. O PSD não vai apresentar qualquer alternativa ao PEC na AR, como insistentemente, lhe solicitou o Governo. Guardará essas revelações […se não forem mais do mesmo] para a campanha eleitoral que se avizinha [ou já terá começado] … O PSD pretende chegar ao Governo jogando na mais pura retranca. Hoje mesmo Passos Coelho solicitou que Sócrates apresentasse uma moção de confiança no Parlamento esquivando-se à responsabilidade de colocar na mesa uma moção de censura. Este calculismo bacoco é um mau indício para quem está tão desejoso de protagonismo.

Sejamos directos e frontais: esta é uma crise política há muito anunciada. Subsidiária de outras crises já instaladas: financeiras, económicas e orçamentais. E assediada por uma crescente crispação social. O Governo de José Sócrates, após o discurso de investidura de Cavaco Silva, passou a viver a prazo. Um pretexto formal - que, de facto, existiu - foi o suficiente para desencadear a tempestade. A tentação de assaltar o pote tornou-se irresistível…

Sendo assim, no horizonte político nacional nenhuma alternativa haverá para além de - eleições à porta!

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