Centésimo dia internacional da mulher

Carlos Mendes : Calçada de Carriche

Música: José Niza
Letra: António Gedeão
In: "fala do homem nascido"
citi, temas de cultura
Luísa sobe, sobe a calçada,
sobe e não pode que vai cansada.

Sobe, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe sobe a calçada.

Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,
de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve-lhe o sangue
de afogueada;
saltam-lhe os peitos
na caminhada.

Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Passam magalas,
rapaziada,
palpam-lhe as coxas
não dá por nada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada;
caiu na cama
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada.

Anda, Luísa. Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Na manhã débil,
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá-lhe a mamada;
veste-se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,
desaustinada;
range o soalho
a cada passada,
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa, larga que larga,[x 4]
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina,
volta à toada,
puxa que puxa, larga que larga,[x 4]

Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueja
pela calçada.

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada, [x 3]

Anda, Luísa, Luísa, sobe,
sobe que sobe, sobe a calçada.

Comentários

O dia 8 de março,é o dia da Mulher/
e a Burguesia presentemente/sabe bem o que escolher/usando método incoerente/e processos de aluguer/ para a caça permanente/da fêmea apetecida/e p'lo macho submetida.

Na natureza animal/a que o humano pertence/verificamos que afinal/é sempre o macho que vence/mas o humano é racional/e a moral assim convence/que a mulher é companheira
nêste mundo de canseira.

No mundo que é dominado/pelo Capital financeiro/quem,na mão tem empunhado/as alavancas do Dinheiro é que domina o Mercado/e da miséria
é rendeiro.Também há mulheres fascistas/cruéis,ditadoras,sàdistas

Mas de um modo geral/a mulher é sempre olhada/como criação divinal
e como fêmea desejada/nêste
mundo do Capital/anda a gente desnorteada/é grande a humana pulhice/a inveja,o cinismo,a vigarice.

O moderno Capitalismo/com a técnica moderna/leva a palma ao Socialismo/e da fêmea,a melhor perna/do macho,o individualismo/
é tendência sempre eterna.E do Mercado,o reinado/será um dia terminado?

Há diferenças colossais/nesta vida complicada/de desníveis abissais/
em que a fêmea é acossada/porque
o macho pode mais/mas às vezes perde a «jogada»./Nêste mundo patriarcal/domina o macho,afinal.

Nêste seu lutar constante/p'la vida e sobrevivência/a pessoa que é petulante/de embotada consciência
é,na vida,mais triunfante/e do humanismo,tem ausência/adpota o
«salve-se quem puder»/como seu método de viver.

Enquanto o pau vem e vai/folgam pois as nossas costas/diz quem teima em viver,e cai/em fazer sempre as apostas/em número que nunca sai/e anda p'las difíceis cangostas/estreitas,íngremes,p'rà maioria/dos que sonham com Democracia.
Oh mulheres!Oh mães!Oh companheiras
vós sabeis melhor do que ninguém/o que custa a vida,o que são canseiras/no nosso Portugal,na Pátria-Mãe.

Pois se sois vós mais de metade/da população,do Povo,a maioria/porque não abris os olhos de verdade/aos graves problemas do dia-a-dia?!

Vêde bem quando votardes,enfim/
não esqueçais que um Não ou um Sim/
pode transformar o mundo em que vivemos.

Todos nós à esquerda vamos alinhar/
para os falsos democratas derrotar/
e da sua opressão,nos libertemos.
José Cravinho:

Parabéns pela sua juventude e força cívica. Abraço.

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