A ‘salvífica’ ANA…


Não se trata de Ana Gomes, nem de Ana Manso, nem sequer de Ana Drago. Muito menos da santa Ana putativa mãe da virgem.

A ‘nossaANA, é mais uma engenharia orçamental - privatização do serviço público aeroportuário de apoio à aviação civil - posta em marcha para camuflar o desaire da execução orçamental de 2012 onde se deitou mão a quase tudo. Desde cortes de subsídios, aos ajustes salariais, cortes nas prestações sociais, às subidas de IVA, às limitações nas deduções do IRS, etc..

O contratado défice orçamental (revisto no 6º. exame regular da troika) deveria situar-se nos 5%. Hoje, a aparece a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) a anunciar mais um falhanço mesmo que a privatização da ANA seja aceite por Bruxelas para ‘entrar’ no cálculo do défice. link 
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Há cerca de 1 ano (17.10.2011) quando da apresentação do OE 2012, Vítor Gaspar, afirmou que a meta seria 4,5% e acrescentou que esse objectivo não poderia falhar. link. O ‘ilusionismo’ financeiro (na altura travestido de 'competência) é tão grosseiro e teimoso que em Março deste ano o ministro das Finanças continuava a afirmar que cumpriria o défice de 2012. link
Hoje, não é possível esconder mais a realidade. Tudo indica que o défice deslizará cerca de dois pontos percentuais dos previstos 4.5 %. O que é um ‘enorme’ erro e um 'colossal' falhanço (financeiro e político).

Consequências?

– O Governo, através do mesmo ministro, decidiu elaborar um OE para 2013 ainda mais austero e restritivo que mereceu, de vários quadrantes políticos, os epítetos de: ‘irrealista e ‘incumprível’.

- Ninguém tem garantias que este deslizamento orçamental não acarretará mais medidas de austeridade ( que continua a ser a ‘receita única’, apesar de todos os insucessos).

Quanto ao resto, i. e., a resolução (superação) da chamada ‘crise’, continuamos cá dentro à deriva, à mingua e na eminência do colapso (económico, financeiro e social) enquanto o Governo é incensado lá fora.
De facto, ao aproximar-se a quadra natalícia são apropriados os incensos. Seria bom que se aproveitasse este tempo para queimar (‘incendere’) estes ‘governamentais’ cromos. Que não são coisa que se cheire.

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