EPISÓDIO NATALÍCIO

Por uma vez estou de acordo com uma decisão governamental. O ministro da Defesa, Dr. Aguiar-Branco, prescindiu de ir prestar o seu reconforto natalício às nossas tropas em serviço no Afeganistão, alegadamente para poupar “uns milhares de euros” ao Estado.

Resta saber se não foi antes para se poupar a si próprio à maçada da viagem e do convívio com a “soldadesca”, ou até para se poupar a eventuais apupos com que os membros do governo costumam ser recebidos onde quer que se desloquem.

É certo que os tais “milhares de euros” são uma irrelevante gotícula de água para o oceano da voracidade de Gaspar. Mas o mais importante é que seria uma despesa inteiramente inútil, pois duvido que a marcial presença daquele meu Ilustre Colega fosse de molde a “levantar o moral” de alguém. Ainda se fosse alguma das mais jovens secretárias de Estado...

Mas este inócuo episódio, da ordem dos “fait-divers”, suscita-me uma questão mais importante. Não estará a nossa presença militar no Afeganistão largamente “acima das nossas possibilidades”? Parece-me bem que sim. Que tem a Troika a dizer sobre isto? Já que estamos em maré de poupança, era por aí que devíamos começar. Podiam mandar para lá uns alemães, que têm “superavit”, para nos substituir. E de passagem até podiam alugar-nos dois submarinos que aí temos sem qualquer préstimo para o país. Sempre era um “encaixe” para ajudar a baixar o défice...

Comentários

Subscrevo com um abraço e votos de boas festividades.
Martinho Marques disse…
Subscrevo e mando publicar "à Ordem".
Unknown disse…
Essa da poupança, fazendo regressar os militares (que nunca deviam ter saido de Portugal) que permanecem nos Afganistães, é muito certeira.
Parabens!
Eu um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velho, (88anos)faço minhas as palavras de António Horta Pinto e pergunto quanto custará por dia ao Erário Público a Tropa que está ao serviço da Horda mercenária da NATO no Afeganistão ou algures?!

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