Um sabor a pecado


Deixaste-me na boca
um sabor a pecado
que apetece repetir
até que o tempo se consuma.
Suspenso na densidade
dos meus sonhos desencontrados
percorro o teu corpo
em harmonias tácteis
dos múltiplos teclados
dos meus dedos
até ouvir o teu grito
a fender o céu.
Apareces em nebulosas de azul,
submissa e serena
na entrega inteira da tua dádiva
ou rebelde e altiva, em desafio ousado,
numa recusa simulada
que eu acabo por vergar,
dobrando-te a vontade pela cintura.
E tudo se revolve e agita
em suor, espasmos e gemidos
e ainda ouço o último grito
do teu prazer
antes de sair do sonho, ao acordar.

Alexandre de Castro

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