A crise - Reflexões de um leitor

Por

E - Pá

UMA CRISE MUNDIAL,
UMA IGREJA MUNDANA…

Em todo este profundo processo de crise global que envolve o mundo, se há alguma coisa que tem sido preservada é a essência do capitalismo.
Logo apareceram os seus mentores a proclamar que Karl Marx ou Friedrich Engels, não tinham renascido, o que de certo modo é verdade.
Só que, com esta tirada, não quiseram discutir fundamentos filosóficos, ideológicos ou políticos do fundadores do socialismo científico, procuram antes trancar as portas a qualquer mudança ao neoliberalismo, na sua última versão americana (Escola de Chicago) capitaneada por Milton Friedman. Este neoliberalismo vive de uma espécie de fundamentalismo económico que assenta na glorificação do mercado livre.
Conduziu a gigantescas fraudes que todos hoje verberamos e vamos sentir no pêlo.

Mas os serventuários do capitalismo não querem falar disso e gostariam de atribuir - exclusivamente - este período a ampla e profunda recessão a fenómenos cíclicos da economia inexplicáveis. Uma espécie de determinismo económico.

Não percebo porque, em termos ideológicos, hoje, por exemplo, esta Europa pensante, não está em aberto uma acesa discussão sobre as consequências da crise e a elaborar alternativas.
Como o “mundo político e económico” se contenta com planos made in Sarkozy e Barroso, que mais não visam que retocar o neoliberalismo, para o perpetuar.

Não pode ser adiado o questionar dos erros, o determinar das suas causas e o prevenir o futuro.
Não podemos deixar esconder, ou branquear, o papel determinante para o rebentar desta crise de alguns dogmas de Friedman como sejam: o enfraquecimento do Estado (menos Estado, melhor Estado!), o seu papel regulador, o dogma da descida dos impostos como motor do desenvolvimento, um inexistente sistema de redistribuição dos rendimentos, as privatizações avulsas de empresas públicas, o fim dos sistemas sociais públicos e, por exº. a capacidade de interferir nos fixação dos preços, como se verificou na última alta de preços do petróleo, em que o ar tresandava a especulação.

Isto é, como não estamos a discutir os mecanismos necessários para a contenção, regulação e disciplina do dito mercado, que tem de deixar de ser livre, continuamos a ter de ouvir personagens a insinuar que o mesmo vai regenerar-se e passar a auto-regular-se e a potencializar a competitividade, de motu proprio.
Sobre o papel do Estado, um sepulcral silêncio...

O neoliberalismo tenta apresentar-se, nos dias que correm, prenhe de falácias: capaz de promover eficiência, a produtividade e a riqueza da sociedade. Não o demonstrou!
O neoliberalismo, desde a queda do muro de Berlim, promoveu a globalização baseado neste princípios. Como ferramentas desta mundialização favoreceu a criação de offshores e paraísos fiscais, outro assunto, que a intelligenzia europeia, não discute.•

Resumindo: Hoje temos um Mundo mais pobre e mergulhado numa profunda crise económica e social, o que é dramático, e a ICAR - pela voz do seu Primaz de Inglaterra e Gales - preocupada…com problemas seculares. Chorando uma visionária - mas não anunciada - "morte do capitalismo", para prevenir a eventualidade de não perder o comboio da História.

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