Notas Sotas - Dezembro/2008
PS – O Estatuto dos Açores foi a oportunidade perdida para a sintonia com o PR e o bom senso. Quando acerta o PR, erra o PS, refém das clientelas insulares e incapaz de aprovar as cinco regiões continentais.
PSD – As lutas internas pelo poder mantêm o partido em constante guerra civil, só apaziguada na missa de aniversário da morte de Sá Carneiro, no dia 4 de Dezembro de cada ano, quando os chefes de facção se reúnem em orações fúnebres.
PCP – O XVIII Congresso mostrou um partido orgulhosamente só, confiante nos amanhãs que cantam na Coreia do Norte e em Cuba, a apelar à convergência de esquerda sem o PS e o BE.
BE – A ruptura com o vereador na Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, revela que é mais fácil fazer críticas na oposição do que enfrentar, com pragmatismo, os duros desafios da administração da cidade.
CDS – Paulo Portas, esquecido do caso Moderna, da falência da Amostra e dos enganos fiscais, ressurgiu, no esplendor do populismo e da demagogia, a pedir a cabeça do governador do Banco de Portugal e a saborear o incómodo do PSD com o BPN.
Movimento Esperança Portugal – A criação de mais um partido, a tentar a sorte eleitoral ao centro, é uma ameaça de aborto político que escolheu a jornalista Laurinda Alves para tentar impedir a interrupção voluntária do fracasso.
Manuel Alegre – Em período de crise generalizada é sedutor cavalgar a onda do descontentamento, sem projecto alternativo ao do Governo, mas é um aventureirismo, tão inconsequente e nocivo como o que o opôs à co-incineração.
Donald Rumsfeld – O Senado norte-americano responsabilizou o ex-secretário de Estado da Defesa pelos abusos cometidos nas prisões de Abu Ghraib e Guantánamo, actos de tortura que envergonham os EUA e emocionaram o mundo civilizado.
ETA – Foi preso o novo líder e chefe militar, Iriondo Yarza. Durou apenas três semanas, após a captura, também em França, do antecessor Garikoitz Aspiazu. O prazo de validade dos chefes terroristas da ETA torna-se cada vez mais curto.
Índia – Os sangrentos atentados de Bombaim são mais uma acha na fogueira do ódio que lavra entre duas potências nucleares – a Índia e o Paquistão –, com as religiões a servirem de detonador da raiva e da violência.
Grécia – A agitação social, que a crise económica agudiza, é o rastilho que põe em risco a democracia e a paz de que grande parte da Europa goza desde a última guerra.
EUA – Após o pesadelo Bush, Obama será facilmente melhor mas pesa sobre si uma expectativa excessiva porque nunca tantos esperaram tanto de um só homem.
União Europeia – O «Plano Barroso» contra a crise, de ideias vagas, soluções ambíguas e pias intenções, mostra que os interesses de cada país ainda se sobrepõem aos interesses globais, dificultando a resolução da crise económica, social e política.
França – O sucesso da presidência da União Europeia constituiu um triunfo para Sarkozy, revelando um líder forte, determinado e europeísta, de quem se sentirá a falta.
Zimbabué – Eis um país cuja invasão se justifica por razões humanitárias, com a fome, a sida e a cólera incontroláveis. A ausência de petróleo e a conivência dos líderes africanos abandonam o povo à demência do ditador.
Vaticano – Com a condenação da fertilização in vitro, clonagem reprodutiva ou com fins terapêuticos, investigação com células estaminais e numerosos actos médicos, o preconceito impõe-se à vida até que um futuro papa venha pedir perdão por este.
Iraque – Bush voltou ao local do crime para ser insultado por um jornalista que, na impossibilidade de lhe dar um pontapé, o alvejou com os sapatos.
Espanha – A remoção da penúltima estátua de Franco, em espaço público, sem alarme, é a vitória da democracia sobre a ditadura, longe da conduta do obscuro autarca de Santa Comba Dão que insiste em preservar a memória de Salazar.
Bélgica – O permanente risco de desintegração pode contaminar a Europa e, num caso e noutro, o federalismo é o único remédio para os nacionalismos que ameaçam a estabilidade e podem comprometer a paz.
Médio Oriente – Enquanto Israel não vir assegurado o respeito pela integridade e a Palestina não for um Estado livre, perduram as condições para a guerra.
PR – A comunicação sobre o Estatuto dos Açores foi infeliz na forma e na substância. Quem não suscitou a inconstitucionalidade das normas que recusava e quis o braço de ferro com a AR, perdeu a razão que tinha e mereceu a derrota que averbou.
Comentários
Em relação à situação do Médio Oriente/ Faixa de Gaza convém actualizar "Notas Soltas".
Apesar dos apelos de um cessar fogo vindos de todos os lados da comunidade internacional, Israel prossegue a sua escalada de terror e destruição.
Pelo seu lado, o Hamas continua a lançar esporádicos rockets contra o território israelita.
O conflito que começou no último sábado ja provocou mais de 400 mortes e 2000 feridos, só do lado palestino.
Enquanto se levanta uma vaga de protestos, coléricos, em todo o Mundo árabe e em alguns Países muçulmanos, Nizar Rayan, porta voz do Hamas e um dos chefes da ala radical, foi abatido pelas forças israelitas, juntamente com as 4 mulheres e 2 filhos.
O Hamas jurou vingar o seu chefe.
Entretanto, o PM Ehoud Olmert, de visita ao Sul do País declarou:
"Nós não queremos uma guerra longa e nós não esperamos ter de alargar a frente"...
Todos de acordo. Pudera!
A guerra estará terminada antes de 21 de Janeiro (data da posse de Obama) e voltaremos a assistir ao sistema do bate e foge.
Se os resultados forem semelhantes aos conseguidos, no Libano, sobre o Hezbollah, os palestinos podem ficar à espera de uma outra ofensiva... E assim sucessivamente!
O seu comentário é uma excelente actualização.
«Notas Soltas» é a colaboração que já seguiu para o honrado mensário de Almeida «Praça Alta» - colaboração que leva anos com este nome e este figurino.
Actualização do nº. de vítimas
palestinos: 420
israelitas: 23
*
Segundo o porta-voz, Christopher Gunness, da UNRWA (United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees in the Near East), em dados fornecidos através da agência noticiosa AFP (referentes a 1 de Janeiro 2009), informou, de modo estimado, no terreno, a segunte situação:
"Pelo menos 25% dos mortos (398 - na manhã de 1.1.09) são civis e este balanço deve ser nitidamente mais elevado".
Portanto, cerca de 100 mortos civis!
**
Caro ahp:
Certamente terá conhecimento das desastrosas notícias que nos vão chegando do Próximo Oriente.
Correndo o risco de ser repetitivo transcrevo informações veiculadas pela Human Right Watch.
A organização de defesa dos direitos humanos Human Right Watch publicitou, no dia 31.12.08, um comunicado onde se lê (extractos):
"Os disparos de rockets visando zonas habitadas por civis tendo por objectivo ferir e aterrorisar israelitas, não são justificáveis, qualquer que seja a acção lançada por Israel na faixa de Gaza."
E, acescentou:
"Ao mesmo tempo, Israel não deve visar individuos e Instituições na faixa de Gaza pela simples razão de que eles fazem parte de instituições ligadas ou criadas pelo Hamas, incluindo agentes policiais.
Só os ataques visando objectivos militares são autorizados, e unicamente na medida onde eles são executados de maneira a minimizar as perdas civis"..
Uma posição, no meu entender, salomónica, mas que responde, em parte, às inquietações que colocou no seu comentário.
Eu acho nojenta a hipocrisia da mídia em crucificá-lo!!!
Pq não fazem o mesmo com Omar Bongo do Gabão?? Este biltre rouba e massacra com as bênçãos de Paris....
A mesma França apoiou aquele canalha do Bokassa, que presenteava Giscard com diamantes. Por que não derrubam os ditadores do Chade , C. do Marfim, Kenia?? Só por que eles são lacaios totais dos membros da OTAN??
Engraçado... Alguns dos países que condenam Mugabe são os mesmos que patrocinaram o genocídio de Ruanda.
Ou mesmos que financiaram por anos os regimes racista de Pretória e Salisbury!!