Li no excelente blogue De Rerum Natura , num post de Carlos Fiolhais , o seguinte: «De facto, o candidato a rei é autor de um opúsculo laudatório do Beato Nuno, onde se pode ler esta pérola: “Q uando passava de Tomar a caminho de Aljubarrota, a 13 de Agosto de 1385, D. Nuno foi atraído a Cova da Iria, onde, na companhia dos seus cavaleiros, viu os cavalos do exército ajoelhar, no mesmo local onde, 532 anos mais tarde, durante as conhecidas Aparições Marianas, Deus operou o Milagre do Sol» (“D. Nuno de Santa Maria - O Santo” , ACD Editores, 2005).»
Fiquei maravilhado com o que li e, sobretudo, por saber que o Sr. Duarte Pio escreve.
O Sr. Duarte Pio, suíço alemão, da família Bourbon, imigrante nacionalizado português pela conivência de Salazar e pelo cumprimento do Serviço Militar Obrigatório, podia emprestar a imagem às revistas do coração mas precaver-se contra a ideia de publicar opúsculos.
Claro que não é necessário saber falar para escrever e, muito menos, ...
Comentários
É preciso reconhecer que a Revolução Cubana sofreu, quer pela relações de vizinhança e proximidade (perigo de contágio!), quer pelo modelo político entretanto adoptado, uma constante inimizade do seu vizinho EUA. Por sinal, um dos Países mais poderosos do Mundo.
As acções contra Cuba, nomeadamente os sucessivos planos de invasão, começam a ser preparados desde 1960, um ano após o exílio do ditador Batista, pelo então presidente Eisenhower e com activa participção da CIA e dos exilados.
Isto é, a revolução cubana começou a ser combatida tinha um ano de vida!
Seguiram-se todo o tipo de manobras: Desde a invasão da Baía dos Porcos (1961) e "Plano Mangosta", etc.
No âmbito internacional, os EUA expulsaram Cuba da Organização de Estados Americanos (OEA); obrigaram os Estados latino-americanos a cortar relações com Cuba (o México foi a excepção); ordenaram ao Mundo ocidental um bloqueio económico (que poucos Países ousaram desobedecer); etc.
Os EUA apertaram, diariamente, o garrote à Revolução Cubana.
Conseguiram que Cuba fosse privada de fornecimentos vitais para sua agricultura e sua indústria.
Fidel virou-se para a ex-URSS que foi, ao longo dos anos, apoiando o regime cubano, nomeadamente, no abastecimento de combustível e no comércio do açucar.
Entretanto, Fidel, depois da invasão da Baía dos Porcos, tinha declarado Cuba um Estado Socialista, facto que acirrou a generalidade das correntes políticas americanas. Estavamos em plena "Guerra Fria", com o Mundo dividido em 2 blocos de influência.
Com o "desmoronamento" da ex-URSS em 1990-91, muita gente preconizou o fim da revolução cubana a breve trecho.
Como passados 5 anos o regime não caía foi promulgada pelos EUA a Lei Helms-Burton que proíbe qualquer investimento de empresas estrangeiras em Cuba. O apertar do garrote até provocar a asfixia.
Apesar disso, nos anos seguintes, a economia cresceu sobretudo na área da agricultura e turismo. Esta última "abertura" do regime castrista ao Mundo, na busca de dólares para consolidar o seu comércio com o exterior, veio a colocar novos problemas à sociedade cubana, como a corrupção, a prostituição, etc.
Numa das suas múltiplas intervenções Fidel, questionou directamente os EUA:
"Em vez de nos agredirem como nos agridem, por que é que não fazem simplesmente uma pergunta: como é possível que Cuba em 30 anos tenha feito o que a América-Latina não fez em 200 anos?"
A questão fulcral que se coloca sobre a Revolução Cubana diz respeito aos Direitos Humanos.
Esta questão serviu para justificar todos os ataques comerciais, diplomáticos e militares contra Cuba.
De facto, o exercício das liberdades fundamentais como a liberdade de expressão e opinião, têm sido, em Cuba, intoleradas, em nome da Revolução.
Mas Cuba - o povo cubano - tem consciência dessa brutal privação.
Ela é feita em nome de prioridades revolucionárias:
- fim do desemprego;
- educação gratuita e universal;
- saúde, também, gratuito e com bom desempenho;
- disseminação das actividades desportivas e obtenção de bons resultados;
- promoção da Cultura e Ciência...
- etc.
Por outro lado, a Revolução combateu: a descriminação racial, o nepotismo, a descriminação contra a Mulher, a corrupção política, situações que grassavam no tempo de Fulgêncio Batista, com o aval dos EUA.
Podemos dizer que nada disto substitui o normal e livre exercício dos Direitos Humanos. Certo!
Falta saber se eles não foram postos em prática por opção ideológica ou, por mecanismos de auto-defesa porque, como sabemos, a Revolução Cubana, foi torpedeada desde o primeiro ano da sua existência.
É exemplar comparar os dois artigos constitucionais:
Texto constitucional de Batista:
(CONSTITUIÇÃO CUBANA DE 1940)
" Todas as pessoas devem, sem censura prévia, livremente expressar suas idéias através da palavra, por escrito ou por qualquer outro meio de comunicação gráfico ou verbal, usando para este fim todo e qualquer meio de disseminação." . Aparentemente o mais democrático possível. Na realidade, há uma intensa repressão e perseguição por parte do Estado contra jornalistas independentes; instituiem-se severas restrições para a aquisição de equipamentos de computação, copiadoras e aparelhos de fax, dificultando o fluxo informativo, etc.
TEXTO CONSTITUCIONAL CUBANO DE 1976 (emendado em 1992):
Art. 53: "O direito dos cidadãos à liberdade de expressão e de imprensa é reconhecida, de acordo com os objetivos da sociedade socialista. As condições para o seu exercício estão baseadas no fato de que a imprensa, rádio, televisão, cinema e outros meios de comunicação pertencem ao Estado e ao povo e não podem, de forma alguma, ser propriedade privada, o que assegura que estes meios sejam usados unicamente pelos trabalhadores e estejam sob o comando da sociedade. A lei governa o exercício destas liberdades." .
A aplicação impedosa da posse colectiva dos meios de produção, acaba por cercear o exercício das liberdades individuais, já que coloca os meios de comunicação social, sob exclusivo controlo estatal e fixa-lhe um objectivo: a construção da sociedade socialista.
Este articulado não é aceitável por um liberal, ou pelos que vivem em democracias que em questões de Direitos e Liberdades estão vinculados à Revolução Francesa.
Embora estando lá tudo explicíto - não existe a hipocrisia do texto constitucional de Batista - para nós, encontra-se muito aquém dos nossos actuais conceitos de liberdades individuais.
Todavia, integra no texto a doutrina socialista originária - abertamente anti-capitalista.
Cuba, para a minha geração, representa mais que uma simples revolução numa ilha das Caraíbas, chefiada por Fidel de Castro.
Mais do isso, é o romantismo revolucionário que nos atormentou, perturbou e questionou, na adolescência e jovens adultos, protagonizado pela figura mítica de Che Guevara que, feita a Revolução em Cuba, continuou pelo Mundo a combater contra as injustiças, os regimes corruptos, o imperialismo, até à sua (prematura) morte.
CUBA, partiu da queda de um regime que personificava a maior podridão das Caraíbas e resistiu 50 anos às muitas condições adversas que lhe foram impostas...pelo Mundo, apesar das sucessivas resoluções da AG da ONU para o fim do bloqueio.
Terá fracassado?
Não comparo a corrupção e o atraso que Batista impôs a Cuba com a instrução, condições sanitárias e desenvolvimento cultural e desportivo que a Revolução legou a Cuba.
Também fui sempre um adversário da política dos EUA para com Cuba mas isso não me impede de condenar um regime que, em meio século, não conseguiu levar o pluralismo e o direito à livre expressão ao seu povo.
Por isso, apesar do milagre em alguns sectores, permanece um regime que eu não gostaria de suportar.
E o Bloqueio? E os Gusanos?
Meu Caro Amigo, não há, nunca houve, paraísos na terra (excepção feita ao do Adão), existem purgatórios e infernos e, não obstante muitas contradições, não incluo Cuba em nenhum destes.
Um abraço e um bom 2009 e, já agora, também para Cuba, porque em Portugal, de acordo com o que "El Comandante" disse ontem, a coisa vai estar preta.
Esta mídia me lembra Pio XII.
Jacobo Arbenz e Salvador Allende foram muitos liberais com seus inimigos... e o que aconteceu???
Como revolucionários vitoriosos se transformam em implacáveis ditadores, depois derrubados e substituídos por outros revolucionnários que seguem o mesmo caminho... etc., etc.