Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
Sejamos claros e concisos.
A unificação da Itália tornou Pio IX um vencido, na disputa que travou pela manutenção de poderes temporais.
A maneira como resolveu a famosa "questão romana" foi mais um clamoroso erro de Mussolini e uma cedência em toda a linha às pretensões do Vaticano, reivindicadas sob insidiosas manobras diplomáticas, nunca cabalmente esclarecidas...
De facto, o secretismo que rodeia os arquivos do Vaticano tornam uma parte substantiva da História Universal, uma nebulosa. E essa situação permite ao Vaticano, sempre que lhe convém, "inculcar" a História.
Na verdade, todos sabemos que em 1929 Mussolini necessitava do apoio da ICAR, para se consolidar no poder e implantar o fascismo.
O Tratado de latrão pode, muito bem, ter sido a moeda de troca. Provavelmente, nunca o saberemos.
As perdulárias indemnizações monetárias concedidas por Mussolini a Pio XI, pelas perdas territoriais (que tinham "acontecido" há mais de 60 anos!) foram, nem mais, nem menos, uma autêntico assalto ao erário público italiano...
Adiante.
Uma outra cláusula do Tratado de Latrão determinava que o
ensino religioso tornava-se obrigatório nas escolas italianas.
Os problema relacionados com este preceito têm perdurado até hoje.
A recente condenação da Itália, por um Tribunal europeu, devido à permanência de crucifixos nas Escolas públicas é, ainda, uma reminiscência desse passado distante...e, vergonhoso.
Nada há a comemorar pelo modo como se solucionou a famosa "questão romana".
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