A meteórica emergência de uma crise política…


Gaspar diz que “não há margem no OE” e CDS ameaça sair… link.

A proposta de OE-2013 começa a fazer estragos políticos. O CDS o 2º. parceiro da coligação governamental ameaça sair do Governo. A maioria estável deixou, no mínimo, de ser coerente.

Esta situação é absolutamente intrigante para o País.

E a pergunta que paira no ar, é:

- Como é possível o Governo apresentar ao Parlamento uma proposta de OE para 2013 e, logo de seguida, divulgá-la através do Ministro das Finanças quando não existe por detrás desse documento - fundamental e imprescindível para a gestão orçamental das finanças do País - um sólido consenso governamental?

Aparentemente, só há uma resposta. Algo deve ter corrido terrivelmente mal na quinta avaliação de Troika. Algo que tem sido, até agora, ocultado aos portugueses. Algo, também, que desorientou o Governo e o levou a cometer o clamoroso e fatal erro (político) que foi a apresentação precipitada, inusitada e desastrosa, pelo 1º. Ministro, em 7 de Setembro, das alterações na TSU.
Este foi o primeiro passo do desmembramento da equipa governamental. A partir daí todos os passos seguintes só – sabemo-lo agora – agravaram a situação. As emendas foram piores do que o soneto.

Neste momento, a bola está em Belém. Uma circunstância que não tranquiliza necessariamente os cidadãos. Na verdade, a capacidade de intervenção e de mediação do Presidente da República está terrivelmente fragilizada. E Cavaco Silva só pode queixar-se de si próprio.

De imediato, os partidos representados na AR deveriam acordar em suspender a discussão do OE. Seria uma maneira de protegermos a nossa imagem no Mundo já que, de momento, não estão reunidas condições mínimas para um debate responsável, i. e., democrático, que preserve o vasto campo (financeiro, económico, social e cultural) onde se insere o interesse nacional. A prossecução da discussão desta proposta de OE - como se nada estivesse passado e a passar - carrega elevados riscos de rapidamente se transformar em chicana política. 
Aliás, as primeiras inconformidades (democráticas), foram visíveis, ontem, na apresentação de Vítor Gaspar, quando afirmou que não existe margem de manobra do Parlamento para alterar a proposta. Que se saiba (ou por enquanto) é o Governo que presta contas e depende da Assembleia da República e não o inverso. Mas um académico, sem experiência política, posto a deambular pela Casa da Democracia é como um elefante à solta numa loja de cristais.

Os próximos dias serão decisivos para clarificar a crise portuguesa. A sua resolução é que se afigura muito... complexa (para conservarmos um pendor realista). A ver vamos!

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