Ecos de Malta: a confirmação de que o ‘rei vai nu’…

Nós sabemos para aonde vamos. Nós queremos cumprir o nosso memorando de entendimento, isso é crítico para Portugal…link

Esta terá sido a resposta do primeiro-ministro à tímida questão – na realidade a única – levantada pelo Presidente da República nas comemorações do 5 de Outubros deste ano. Adiantou Cavaco Silva: “O nosso sacrifício tem de ter um propósito, um sentido, uma razão de ser. Não atravessamos dificuldades unicamente para corrigir os erros do passado recente, mas também para encontrar um rumo de futuro…link

O remoque [não será bem uma ‘resposta’] de Passos Coelho é de uma assustadora indigência política. Temos à frente do Governo um homem que confunde meios com fins. E o que o primeiro-ministro se atreveu a perorar foi que o memorando celebrado entre o Estado português e a ‘troika’ tornou-se o nosso projecto de futuro. Com esta ignóbil ‘visão estratégica’[!] não admira o seu isolamento nacional (já manda os ‘recados’ do exterior) e a sua insignificância no espaço europeu (onde em Malta 'mendiga' a Merkel a criação da União Bancária link).

Passos Coelho continua esconder que o ‘instrumentomemorando é – como podemos deduzir do insistente martelar  de Vítor Gaspar em fastidiosas comunicações – um meio de 'ajustamento financeiro' do nosso País às ‘pressões’ (especulações) do(s) mercado(s). O memorando será a guerra contra os mercados. A batalha é outra - como qualquer cidadão sabe e sente - e o 'nosso futuro' (o memorando não é 'nosso' - tivemos necessidade de adoptá-lo), enquanto País, necessita de clarificar e expressar ‘finalidades’ que, como é racional, estão intimamente ligadas a todas as circunstâncias cívicas e sociais e às múltiplas vertentes ideológicas que determinam as políticas, o modelo económico, as finanças, a sociedade e a cultura. Estes parâmetros nunca foram claramente explicitados e, portanto, permanecem sem ser discutidos ou - o que é mais grave - sufragados.

Foi-lhe (a Passos Coelho) possível ocultar e passar ao lado de um projecto de futuro nas últimas eleições legislativas (Junho de 2011), substituindo-o por tiradas avulso de matriz (cariz?) neoliberal. Hoje, continuar por esse caminho (do 'empobrecimento compulsivo' como finalidade, p. exº.) tornou-se socialmente ignominioso,  financeiramente contrapruducente, economicamente desastrado e politicamente ineficaz.

Um ano e meio após o início destes exercícios de malabarismos populistas (e eleitoralistas) a realidade bateu à porta do primeiro-ministro. E tornou evidente aquilo que, há algum tempo, muitos portugueses suspeitavam: O REI VAI NU!

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