Ramalho Eanes referiu como trágica a descolonização em que «milhares de pessoas foram obrigadas a partir para um país que não era o seu». Tem razão o ex-PR cujo papel importante na democracia e o silêncio o agigantou depois da infeliz aventura por interposta esposa na criação do PRD e da adesão à Opus Dei, sempre por intermédio da devota e reacionaríssima consorte, que devolveu o agnóstico ao redil da Igreja. Eanes distinguiu-se no 25 de novembro, como Dinis de Almeida no 11 de março, ambos em obediência à cadeia de comando: Costa Gomes/Conselho da Revolução . Foi sob as ordens de Costa Gomes e de Vasco Lourenço, então governador militar de Lisboa, que, nesse dia, comandou no terreno as tropas da RML. Mereceu, por isso, ser candidato a PR indigitado pelo grupo dos 9 e apoiado pelo PS que, bem ou mal, foi o partido que promoveu a manifestação da Fonte Luminosa, atrás da qual se esconderam o PSD e o CDS. Foi nele que votei contra o patibular candidato do PSD/CDS, o general Soares...
Comentários
As negociações que decorrem entre o Governo português e a Administração americana para receber-mos alguns prisioneiros de Guantánamo, segundo transpirou, implicam a renúncia a proposição de qualquer acção contra os torturadores americanos, entre os quais, Dick Cheney, é um dos principais autores morais e cúmplice político, para não falar de G W Bush.
A verficarem-se estas condições, sem que haja prejuízo para os direitos humanos dos prisioneiros (quase todos de longa duração), todo o programa de acolhimento aos prisioneiros de Guantánamo deverá ser repensado.
Todos estamos de acordo que o TIC deve ter competência para julgar todo o tipo de crimes contra a Humanidade, sejam praticados por americanos, chineses ou zulus...
Não só tenta matar os amigos, como promove a tortura e a morte aos milhares entre os inimigos.
Acordos com essa gente... É para rir.
Ontem num programa na TV alemã foi abordado, com algum gracejo, essa "proposta de Portugal" de receber os presos de Guantanamo. O que quer o Governo? Tal como Barroso em 2003 - mas agora ao contrário - aparecer nos noticiários internacionais, ser falado nos debates políticos dos grandes países com condescendência e graça?
Claro que nos fica bem, e está de acordo com a nossa Constituição (art. 7.º):
"Portugal rege-se nas relações internacionais pelos
princípios da independência nacional, do respeito dos
direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade
entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais,
da não ingerência nos assuntos internos dos
outros Estados e da cooperação com todos os outros
povos para a emancipação e o progresso da humanidade."
Por outro lado, afirma o n.º 2 do art. 24.º2. Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos
ou penas cruéis, degradantes ou desumanos."
Fica bem ao Governo querer salvaguardar os direitos humanos dos prisioneiros.
Mas cuidado com esses negócios e esses acordos!