Os pica-cartão!

Uma percentagem significativa dos deputados do próprio CDS faltaram a uma votação solicitada pelo seu Partido.
Votação essa que visava embaraçar - de forma inteligente, astuta e grave - o Governo de José Sócrates!

Onde terão ido esses simpáticos (e inúteis para o Parlamento, na sua própria opinião) ocupantes do "mini-bus" antes das 12h?

Mas, o que mais estranho em toda esta história é que, em todos os órgãos de informação que procurei consultar, nenhum nos diga quem são?
Que nos apresente uma lista, com as faltas justificadas e as faltas injustificadas.
Quais os que picaram e saíram?

Ou seja, o jornalismo português e, talvez, a própria opinião pública..., não estejam verdadeiramente interessados em responsabilizar o exercício do mandato de deputado!
Apenas se apontam números: 35, 10, 2! Como se fosse um jogo do loto!

O que queremos é que os grandes órgãos de informação e a imprensa regional nos diga: Quem?! Este, aquele e aquela! Para que os eleitores não esqueçam, para que os camaradas ou companheiros de Partido vão fixando os nomes e as caras dos que faltam e dos que "picam" e vão embora.

Para que tudo isto seja verdadeiramente a sério e não mais um regabofe institucional!

Comentários

Adamastor disse…
Conforme já comentei na posta "PSD - Derrota por falta de comparência", a lista oficial dos presentes e dos faltosos está aqui: http://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheReuniaoPlenaria.aspx?ID=50481
Toda a gente se esquiva a chamar os bois pelos nomes, porque todos mamam!!!
Bastará contar as faltas (incluindo aquelas dadas em "trabalho parlamentar") para ver quantos picaram o ponto e se puseram ao fresco...
Poucos são os faltosos em todas as sessões e, no entanto, o parlamento está sempre como os estádios de futebol: com meia dúzia de gatos pingados nas bancadas, salvo raríssimas excepções.
Isto é uma pouco vergonha, demonstrativa do calibre dos nossos políticos!
e-pá! disse…
Acho que o actual escândalo do baldanço dos deputados é mais um episódio caricato do Parlamento.

A celeuma foi levantada pela Direita que - de golpe - pretendia contornar a maioria parlamentar.

Mas as tentações ocorrem tanto na Direita como na Esquerda e, o instituto da gazeta, lá adiou mais uma chicana política.

Saber quem faltou, ou quem esteve presente, pode ser importante para um chefe de secretaria ou para uma líder política, sem assunto, armada em amanuense.

O que está em causa, o que esta situação vem mais uma vez trazer à superfície, é o tipo e o modelo de trabalho parlamentar.
Mais, questiona a composição da própria Assembleia - qualitativa e quantitativamente.

Há muito que oiço defender que o "grosso" do trabalho na AR deveria residir nas comissões parlamentares, obviamente, a funcionar com outros meios, outra estruturação e outro espírito de missão.

Para além do mais, tinha a virtude de dividir o mal pelas aldeias e pôr mais gente a trabalhar e a pensar.
O ideal seria distribuir trabalho por todos como se distribuem os processos nos Tribunais.
Depois veriamos quem tem unhas e quem toca viola.

As sessões plenárias da AR deveriam ser mais escassas e previamente preparadas (nas comissões), excepto, claro está as sessões comemorativas e protocolares a as interpelações ao Governo no uso dos seus poderes de fiscalização.

O golpe político, foi bem preparado, mas não resultou!
Agora, é escusado partir a loiça.

Melhor será tirar ilações para o futuro e mudar de vida ( premonição de Luís Marques Mendes).

As reformas do aparelho de Estado deveriam, também, chegado aqui. Mas as Institutuições, como é o caso da AR, têm relutância em se auto-reformar.

Se adicionarmos este caso aos recentes recentes distúrbios da AR da Madeira, mais premência ganha a necessidade de mudança...
andrepereira disse…
Mantenho o que escrevi. Nem os grandes órgãos de informação, nem a imprensa regional (na qual se deveria fazer o controlo dos deputados de cada círculo eleitoral) nos costumam dar notícia sobre os deputados em concreto. Apenas falam do "rebanho" e de números. E acho que considerar o nome/ figura do deputado apenas como um problema de chefe de secretaria mostra que não se tem grande respeito, consideração ou interesse pela actividade parlamentar. A ser assim, então, tem razão o PSD quando propõe uma significa diminuição do número de deputados!
Por exemplo: a imprensa do distrito de Coimbra alguma vez se preocupa com os 10 deputados eleitos por este cículo eleitoral?
e-pá! disse…
ESTAR, FALTAR ou NEM SEQUER EXISTIR

Tenho o maior respeito pela actividade parlamentar, como sede do Poder Legislativo, um dos mais importantes esteios da Democracia.

Mas, como já deve ter reparado, naquela casa, a produtividade nada tem a ver com a assiduidade.
Existem deputados que iniciam a legislatura calados e saiem mudos...

E, estes factos são mais evidentes quando há maiorias absolutas no Parlamento, em que os problemas são resolvidos em gabinetes, directivas dos inner circles partidários, conluios nos Passos Perdidos, almoços de trabalho, etc.

As maiorias absolutas - esta ou outras - conduzem sempre a uma "governamentalização" do Parlamento.
E dão azo a situações destas.

A AR, muitas vezes, transforma-se num púlpito para a comunicação social, num altar de rituais ou num circo para a retórica balofa.
Tudo o que lá chega já estará decidido de ante-mão.

Outro problema serão os deveres dos deputados.

Aí tem razão...formal.
Mas o cumprimento desses deveres, por si só, não conduz à melhoria do trabalho legislativo e da fiscalização da actividade governativa.

O Parlamento deverá modernizar-se e tornar-se mais eficiente.
Tarefa que me parece mais dificil do que controlar presenças físicas...

Todos conhecemos dos bloqueios das instituições de Poder em "auto-reformar-se".

Não será?
andrepereira disse…
O Parlamento está esvaziado de funções. Os deputados têm pouco apoio técnico, nem sequer têm razoáveis condições de trabalho.
O Governo (todos os Governos em Portugal) assenhoram-se da função legislativa e têm a faca e o queijo na mão, deixando ao Parlamento um espaço muito reduzido.

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