Islão e cultura


Deus não é certamente um entusiasta da cultura e, muito menos, do ensino obrigatório destinado também ao sexo feminino. É antiga a aversão à cultura daquele deus que, há seis mil e doze anos criou o mundo em seis dias e, ao sétimo, descansou, aversão que se agrava quando promove a igualdade dos sexos.


A comunicação social tem divulgado as ameaças de morte proferidas pelos talibãs, no Paquistão, contra as raparigas que, a partir de Janeiro, continuem a frequentar a escola.


Os talibãs paquistaneses não são muito diferentes dos que noutras religiões alimentam especial animosidade contra a cultura e, sobretudo, contra a liberdade.O Papa Pio IX dizia que o catolicismo era inconciliável mas, apesar da franqueza de quem amaldiçoou os livres-pensadores, foi possível assegurar a religião e a escolaridade.


Em 2008, haver quem, em nome da vontade divina, se oponha à escolarização feminina, é um acto de demência que, em nome da civilização, devemos combater.


No Portugal salazarista, a escolaridade que a República fizera obrigatória durante cinco anos, retrocedeu para quatro anos para rapazes e três para meninas, mas Salazar era um talibã benigno comparado com os facínoras que se regem por um livro hediondo, ditado pelo arcanjo Gabriel a um pastor analfabeto, entre Medina e Meca, durante vinte anos.


Comparado com os trogloditas paquistaneses, o Papa parece um combatente da liberdade.

Comentários

e-pá! disse…
HOJE, NÃO BASTA COPIAR A LEGIÃO ESTRANGEIRA...

Grave é, depois do esforço feito para neutralizar os talibãs, que governavam o Afeganistão, os mesmos se econtrem, hoje, às portas de Cabul.

Tentou-se impôr uma solução militar, não se cuidando doutros aspectos da vida política, económica e cultural.

A autoridade do presidente Karzai circunscreve-se ao palácio presidencial.
A economia continua a depender do cultivo do ópio (só numa província do sul do afeganistão cultiva-se 42% da produção mundial!).

Politicamente, ignorou-se as diferenças culturais, entre numerosas etnias residentes, favoreceu-se a maioritária pachtum, que se rege por um código de honra religioso pré-islâmico e pela prática do islamismo.

O fim da "rota da seda" acarretou a supremacia étnica dos pachtuns.
Hoje, essa supremacia é mantida por dois instrumentos:
economicamente pelo cultivo do ópio;
e,
no campo religioso, pelo islamismo.

Meia dúzia de anos de intervenção militar do Ocidente, não modificaram este statu quo.

Não admira, portanto, que o fundamentalismo dos talibãs, de novo, ameace a Cultura e a Educação - desta vez a "escolaridade feminina".
Eles, de facto, estão na iminência de reconquistar o Poder e colocarão em causa muito mais coisas...inclusive a vida dos "hereges", dos "ímpios", etc.

Na verdade, devemos meditar na proposta de Karini:
"The only way you can bring peace and stability to this country is to revive the traditional rule of people within the community in governance and security."
Barna Karimi, deputy minister for policy at the Interdependent Directorate of Local Governance (IDLG).

Como se comenta à boca pequena nos meios diplomáticos da NATO, faltou:
investimento, desenvolvimento, treino e integração militar e policial dos autóctones, enfim, uma boa governação.

Obama, chegará a tempo?
É que estão lá militares portugueses, não é?

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