Momento de poesia

Dissertação sobre a minha contabilidade…


Sobram sempre pedaços da memória

quando desembrulho o passado

perdi as pisadas do teu rasto

talvez tivesse posto o pé em falso

agora os caminhos já não são os mesmos

não te digo das pontes nem dos rios

que ambos atravessámos

nem dos abrigos improvisados

tu vinhas e ias sem remorsos

e foi nessa inocência que nos perdemos

um do outro, sem remissão,

falta-nos percorrer outros caminhos

dobrar todas as esquinas

interrogar os desejos de antigas encruzilhadas

para contar o tempo que nos resta

eu sei que ninguém vai entender

quando eu te oferecer uma flor.

Alexandre de Castro

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