Por uma nova maioria Socialista (2)

O actual governo socialista é o único minimamente credível nos dias de hoje, sendo um dos menos maus que temos tido na nossa jovem democracia.
O PSD está em autofagia aguda (ou crónica?) e com uma total ausência de quadros, disciplina e pudor. A esquerda é incapaz de qualquer união entre ela (vício insanável do esquerdismo, sempre e ainda dividido entre maoismos, trotskismos da quarta internacional, trotskismos da quarta internacional refundada, estalinismos, zouchismos, etc.) ou de participação no poder (a sua força depende da alternativa e da resistência). O CDS, duvido que qualquer preocupação ideológica ainda tenha- está lá com os seus 5 a 8% para se tentar colar a uma coligação com quem quer que seja- PS ou PSD. A ânsia de poder do CDS e dos seus boys é tanta, que palpita-me que até se coligariam com o BE e o PCP se assim conseguissem um ou dois ministérios e uns tachitos.
PS, portanto, única alternativa.

O que não quer dizer que este não seja um governo objectivamente mau... apenas é menos mau que os anteriores governos Barroso/Portas e Santana/Portas. Muitas das reformas efectuadas pelo governo Sócrates não passam de propaganda e de tigres de papel.

O défice é controlado através de um aumento brutal e asfixiante de impostos sobre os rendimentos de trabalho e sobre o consumo, e não através de qualquer aumento evidente na eficiência da máquina fiscal. No entanto, os rendimentos de capital, daquelas pessoas que andam a jogar no sobe e desce bolsista, raras vezes investimento produtivo, são bagatelarmente tributados. Os rendimentos líquidos das classes médias, aquelas que poderiam inovar e investir na economia real e criar PME's ou propriedade intelectual são asfixiadas.

O fosso entre ricos e pobres acentua-se cada vez mais- a nossa taxa de Gini é a mais elevada da Europa a seguir à Lituânia.

A educação, que deveria ser prioridade absoluta para o futuro desenvolvimento sustentável de Portugal, continua de mal a pior, preocupando-se o Governo com questões laterais como a avaliação dos professores ou a excessiva propaganda à volta do Magalhães, computador medíocre e de tecnologia ultrapassada, em vez de se preocupar com a questão da disciplina os alunos, que hoje em dia dificilmente diferem de qualquer membro dos No Name Boys ou de qualquer gang de favela, condição essencial para a aprendizagem, ou com identificar exactamente quais as razões do insucesso dos alunos e corrigi-las. Afogar os professores em burocracia em vez de efectivamente ensinarem; passagens administrativas de alunos em vez de exigência, etc. Porque não descobrir as razões das nossas catastróficas prestações no PISA, porque não descobrir porque é que os nossos alunos são tão maus a matemática? Não... é mais fácil baixar a dificuldade dos exames nacionais de matemática e propagandear a subida homóloga dos resultados...

E a economia vai de mal a pior. Cada vez divergimos mais da Europa. Segundo o EUROSTAT, partindo em 1997 de 76,1% da média EU/27 e alcançando o máximo histórico de 78,3% em 1999, chegamos, com subidas e descidas, a 2008 (previsão) com 72,5% da média europeia, sendo neste momento o 19º país mais rico da Europa, entre 27. É o único país "pobre" que divergiu.

Este governo Sócrates é mau, mas ainda é o menos mau que conseguiremos encontrar. E por isso devemos votar PS nas próximas eleições.

Comentários

e-pá! disse…
PRIMEIRO, PRESTAR CONTAS...

O problema é que, quase um ano antes do acto eleitoral, já caímos na perversão política de defender a teoria do mal o menor.

Não é a hora de cobrar promessas que a crise financeira e a mais que provável recessão económica (há um pavor em encarar esta realidade no Governo) tornaram, totalmente, irrealizáveis.

Mas é necessário olhar para este PS, partido que sustenta o Governo, e perguntar onde está a autenticidade de uma política socialista ou social-democrata que, no mínimo, divirja do neo-liberalismo, que grassa na Europa.

A Esquerda não está prisioneira de estratégias, nem de conluios, nem gizou convergências para conquistar o Poder.
Quer intervir na moderação do Poder, conter ou atenuar as suas derivas, pelo que se vier a conjugar esforços - o que é muito problemático - será neste sentido.

A moderação do Poder passa pela apresentação de alternativas políticas e abandonar o papel heróico, mas improdutivo, de resistir ao esvaziamento ideológico e desconstrutivismo programático do PS, em nome de uma panaceia – que não é de Esquerda, nem de Direita - o pragmatismo, que não é mais do que um instrumento de exercício do Poder. Serve a qualquer matriz doutrinária ou, mesmo, ao seu exercício autoritário.

O que está a passar com a actual crise situação financeira – nomeadamente as medidas em relação ao BPP – não “convencem” os portugueses. Se o intuito era lavar a cara no exterior (expressão africana que significa exorcizar a vergonha), sujou-a cá dentro, onde indispensáveis medidas de política social para atenuar a crise económica que ameaça o País, são arrancadas a ferro e, muitas, diferidas para o caso de a situação se tornar incomportável. No BPP, foram preventivas, precocemente postas no terreno. O efeito de contaminação supõe, sempre, uma capacidade de virulência do agente patológico. Felizmente, o Governo dispõe de um poderoso e dissuasor remédio – a CGD – que sendo a maior instituição bancária do País regula com maior eficiência este sector do que as erráticas e formais intervenções do Banco de Portugal.
Pelo que a teoria da contaminação, poderia chamar-se também a prosa da salvação (das fortunas).

As próximas eleições vão depender da evolução e capacidade de controlo pelo Governo da crise da economia real.
Portanto, o governo vai ser posto à prova nas condições desfavoráveis do último ano, quando julgava que o ciclo governativo traria, exactamente, o oposto.
Na medida em que o Governo seja capaz de evitar que essa crise faça maiores estragos na dita “classe média”, já muito fustigada por medidas reformistas do Governo, que a despojaram – quase de rajada – de algumas regalias sociais, dependem os resultados das próximas eleições legislativas.

Como, no campo da evolução da crise económica, a procissão ainda vai no adro, pedir tão antecipadamente, a almejada maioria absoluta, é fazer depender os resultados políticos (e necessariamente eleitorais) do demérito dos outros e deitar para o lado o julgamento do mérito de quem exerceu - em nome do Povo - um ciclo de poder (4 anos).
Começamos por julgar as alternativas que, têm sido frágeis na Direita, mas relativamente ameaçadoras - da maioria absoluta - pelas forças políticas e sociais à esquerda (do PS) que tentam capitalizar o descontentamento popular e, acrecente-se, os erros estratégicos do Governo, nomeadamente, a sua notória inflexão para o Centro-Direita.
É a estratégia militar: quando se tenta conquistar um novo espaço,faz-se à custa da retaguarda ou dos flancos.

Mas as próximas eleições julgam, em primeira instância, quem, legitimamente, teve a prerrogativa de governar o País.

Senão viramos o filme ao contrário, julgamos as prestações das Oposições e ninguém entende nada.

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