Momento zen de segunda

João César das Neves (JCN) começa a homilia de hoje, no DN, intitulada «Primavera da vida cristã», afirmando que «no dia da Imaculada Conceição, rainha de Portugal, é bom considerar a situação da Igreja Católica».

JCN é um indefectível prosélito do catolicismo medieval cujo paradigma é a monarquia absoluta com a mãe do seu deus promovida a rainha e virgem como todas as mulheres, maculadas pelo pecado original, deviam ser.

Não admira, pois, que o catecúmeno veja «um dos melhores períodos dos 2000 anos de vida cristã» quando «mesmo entre fiéis mantém-se consensual a sensação de decadência da Fé face aos séculos passados».

Mas, no optimismo que partilha com ateus, agnósticos, cépticos e os livres-pensadores que Pio IX excomungou, JCN fica-se pela mera afirmação para logo se queixar das malfeitorias de que a sua Igreja foi vítima esquecendo as que praticou.

Parece apreciar a «paz de Constantino» esquecendo que o imperador foi responsável por autos de fé, exílios forçados, assassinatos, destruições de edifícios pagãos, profanação e objectos de culto, incêndios de bibliotecas e outras monstruosas tropelias. Rejubila com a evangelização e lamenta a Reforma que acusa de ser a responsável por duzentos anos de guerras.

JCN reescreve assim a história: «Por fim, quando a Igreja se globalizava nas caravelas, a suprema ruptura da reforma protestante gerou 200 anos de guerras religiosas. Os 200 anos seguintes de ataques maçons e perseguição ateia conduziram ao nosso tempo».

Como é possível esta amargura com o «nosso tempo» depois de o considerar «um dos melhores períodos dos 2000 anos de vida cristã»? A coerência não parece ser um dom do Espírito Santo!

Antes deste despautério, acusa a sua Igreja de ser responsável pela modernidade. É uma acusação injusta e uma ingratidão para a Contra-Reforma, o tribunal do Santo Ofício e a piedade de numerosos papas.

O melhor é ler a homilia.

Comentários

andrepereira disse…
Ler essas homilias!? Seja. Entre nós não há index!
Zeca Portuga disse…
Por acaso não li, mas vejo que César da Neves disse muitas verdades, pois incomodou bastante.

Na verdade, hoje como sempre, são aos ateus que estão na linha da frente na defesa da dignidade e dos direitos.
Veja um excelente exemplo: a China.

Recue-se um pouco e veja-se o exemplo de Stalin e de Hitler – dois exemplos de dignidade dos ateus.

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