Santo arcebispo


Em resposta às críticas da opinião pública, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, disse que não excomungou o rapaz que engravidou a sua enteada de 9 anos porque aborto é mais grave do que estupro.

Comentários

e-pá! disse…
ABORTO versus ESTRUPO

Esta concepção ética da vida e dos comportamentos é o espelho de uma Igreja, moralmente em franca decadência.

De certo modo, o aborto é a assumpção, pelas mulheres, do controlo do ciclo reprodutivo.
É o exercício de direitos cívicos importantíssimos.
Deste modo, elas, colocam no Mundo, filhos, quando julgam que a maternidade é oportuna.
Isto é, quando dispõem de tempo para as tarefas da procriação e conseguem, ao mesmo tempo, manter-se economicamente independentes de circunstâncias que as "escravizaram" durante séculos.
A Igreja, ainda, não entendeu esta evolução.

O esturpo é um crime hediondo que, quando resulta numa gravidez indesejada, representa o ruir desta evolução cívica da mulher.
Na realidade o esturpo nunca vem sozinho. Ele "arrasta" outras iniquidades, preversões e degradações de índole social:
o racismo, o sexismo, a misoginia, a xenofobia, a homofobia, o escravismo e o trabalho forçado...
A Igreja, também, se mostra renitente em compreender estes drama, nesta plenitude.
Por isso, dom José Sobrinho deve estar tentado a considerar o estrupo um mero abuso, uma forma mais incisiva e consumada de assédio, sem outras consequências jurídicas e cívicas.
Assim, a bitola, do reverendíssimo, é fácil de adivinhar:
-para a mulher (vítima, ou não, de esturpo) que decide abortar a "fogueira.
-Para o esturpador uma reprimenda.

Com esta dicotomia de juízos de valor, a ICAR não vai longe...

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