O “Club Med”…

Poucas horas depois de a Grécia solicitar a activação do plano de ajuda acordado com a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chanceler alemã Angela Merkel, refreou o entusiasmo de Atenas. A Grécia considera que o pacote financeiro aprovado para o pagamento dos seus fundos – libertando-os dos especuladores - está prêt-à-porter.

Todavia, Angela Merkel impôs duas condições que considerou essenciais:

1ª. "a estabilidade do euro como um todo" ;
2ª. "um plano de poupança credível”.

Entretanto, para além da Grécia – embora com variados gradientes – outros países da zona euro estão sob intensas pressões dos mercados financeiros e à mercê de um outro mercado mais cruel – o especulativo.

Não vale a pena iludir esta questão. Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha são, para já, os países mais visados. Em surdina, nos meios financeiros, é usado um acrónimo pejorativo para os designar: PIGS (Portugal, Ireland, Greece and Spain)..
Esta sigla vem sendo progressivamente alargada e, hoje, alguns meios da finança falam no “Club Med”, i.e., países maioritariamente da bacia mediterrânica ou, se quisermos, do sul da Europa, onde, actualmente, se inclui a Itália, que vive uma grave crise política interna.
Reaparecem aqui as velhas fronteiras das assimetrias do desenvolvimento: Norte/Sul.
Todo este "imenso" Sul - sejamos realistas - é acusado de práticas orçamentais negligentes e indisciplinadas.

A palavra de ordem de hoje foi o muito comentado “risco de contágio”.
O primeiro alerta veio do presidente do Banco Central da Alemanha, Axel Weber, que afirmou existirem muitos países com deficits orçamentais elevados e que o “risco de contaminação” aumentou nas últimas semanas.
Para os países deste acintoso agrupamento, designado por “Club Med”, as previsões do deficit orçamental público em % do PIB para 2010, caso se cumpram os programas de combate ao deficit, são as seguintes:
Portugal – 8.3% (9.4% em 2009); Irlanda – 11.6% (14.3% em 2009); Itália – 5 % (5.3% em 2009); Grécia – 8.7 % (13.6% em 2009); Espanha – 9.8 % (11.2% em 2009).

Por outro lado, será conveniente ter em conta que o Sr. Axel Weber é um actual dirigente do Banco Central Europeu e, provavelmente, o homem que substituirá Jean-Claude Trichet na Eurotower de Frankfurt.

Vindo donde veio, este “aviso à navegação”, é um recado que Portugal não pode ignorar.

Não basta repetir ad nauseum que a nossa situação é diferente da Grécia…

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