Emérito?

O Vaticano anunciou que aceitou a renúncia do bispo Roger Vangheluwe, da diocese de Bruges, na Bélgica... ao abrigo de leis canónicas que me dispenso de citar.

O prelado forçado pelas actuais circunstâncias a resignar (tenha-se em conta esta importante "particularidade") reconhece que a vítima dos seus abusos “continua marcada” pelo que aconteceu, apresenta as suas desculpas ao jovem, à sua família, “a toda a comunidade católica e à sociedade em geral”.

Qual razão porque ficamos pelas desculpas e damos como encerrado mais um vergonhoso e infame caso (crime) de pedofilia, que envolve a participação directa de uma figura da alta hierarquia da igreja católica?
Esta intolerável actuação de um bispo não configura a existência de um factor agravante?

Para já, o reconhecimento por parte do Arcebispo André-Mutien Leonard de que a Igreja Católica na Bélgica, para além de manifesta uma vontade de “transparência” que quer aplicar nesta matéria, virou a página sobre um tempo em que “se preferia a solução do silêncio ou da ocultação”.
Afinal, a ocultação foi uma solitária "atitude belga", ou emanou das mais altas instâncias Vaticano, mais concretamente, da Congregação para a Doutrina da Fé?

É esta a embrulhada que não há maneira de Bento XVI admitir.
Enquanto não o fizer, as dúvidas sobre as actuais iniciativas de combate à pedofilia no seio da Igreja, continuarão a inquinar este vergonhoso e criminoso problema.

Mas, o resignatário e envergonhado bispo Roger Vangheluwe, da diocese de Bruges, na Bélgica, continuará no seio da Instituição, agora, como "bispo emérito de Bruges"?
Emérito significa, entre outras coisas, aquele que: "tem prestado longos e bons serviços..."

Em que ficamos?

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