Dia a dia, minuto a minuto...

É dificil entender os meandros da "nova vaga" de crise financeira que se abate sobre a Europa. Mais difícil será para um leigo em matérias económico-financeiras. Mas, qualquer cidadão, com o mínimo de consciência política, sente no ar um ameaçador prenúncio de tempestade.

Sente que na eminência de um "crash" grego, Portugal, Espanha e, muito brevemente, a Irlanda, serão inevitavelmente arrastados para vários tipos de crises de insolvência. Crises que - no Mundo actual - nunca serão circunscritas, auto-limitadas. Começam a estar reunidos os múltiplos factores que, em convergência, conduzirão toda a Zona Euro para uma situação de emergência.

Todos sabemos que as situações de emergência - quer nos países, quer nas pessoas - determinam a instituição de terapias cruentas, muitas vezes invasivas, imediatas e eficientes no sentido de estabilizar o "doente" e reverter a "doença". Estes indispensáveis cuidados intensivos tem sido, na Zona Euro, negligenciados...
A presidência espanhola da UE convocou uma cimeira extraordinária para o dia 10 de Maio, isto é, um dia depois das eleições regionais germânicas, para tentar resolver a crise que grassa no "espaço euro"... Cada dia que passa, os países da Zona Euro, neste momento, sob um intenso e ardiloso ataque dos mercados financeiros, vulgo, "dos mercados especulativos", sentem-se (por força das "regras" da zona monetária europeia ) condicionados e incapacitados no delinear e planear de uma reacção pronta e eficaz, como por exemplo, a desvalorização da moeda...

Estes países temem que - apesar de todos os programas de combate ao deficit orçamental e de redução da dívida (pública e privada) - amanhã seja tarde. Quanto mais daqui a 12 dias...

A Grécia não precisa de mais cimeiras. Precisa, sim, de uma imediata ajuda ( já!) que possibilite um resgate rápido de parte da sua divida soberana. Só assim se travará a desenfreada especulação que se sente e cheira e, concomitantemente, uma acalmia do frenético bulício (nervosismo) dos mercados financeiros. Só assim se contornará os riscos de "contágio" para Portugal, Espanha e Irlanda e que, depois, contaminará toda a Zona Euro.

A haver necessidade de um período de quarentena este deve ser selectivamente dirigido aos "especuladores". Nunca aos países membros da Zona Euro. E a Grécia, como sabemos, está de "quarentena" há muito tempo...

Todavia, o grande sustentáculo de todas as actividades especulativas não se baseia em parâmetros infecciológicos, mas na profunda convição de que a UE e - neste caso particular - os países que integram a Zona Euro não têm a mínima capacidade de exibir, aos europeus e ao Mundo, qualquer resquício de coesão política.

Sem coesão política, não há soluções económicas e/ou financeiras.

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