A rubrica que tardava a aparecer...



Há alguns anos que se denuncia a existência de documentos secretos oriundos do Vaticano com o fim de instruir os bispos católicos sobre a melhor forma de ocultar e evitar acusações judiciais em caso de crimes sexuais contra crianças…link

Nesta situação estará o documento Crimen Sollicitationis link , da responsabilidade do papa João XXIII, uma cartilha de 39 páginas, escrita em latim, no ano de 1962, e distribuída pelos bispos católicos de todo o mundo.
Este ignóbil escrito impõe um pacto de silêncio entre a vítima menor, o padre que é acusado do crime e quaisquer testemunhas ou pessoas a par do ocorrido. Quem quebrasse esse pacto seria excomungado pela Igreja Católica, conforme foi denunciado, em devido tempo, pela BBC.

A ICAR reagiu através do arcebispo Vincent Nicohls que tentou controlar danos referindo que o referido documento documento não se refere a eventuais actos de pedofilia por parte dos padres, mas apenas ao "uso impróprio do confessionário". Em vez de esclarecer a questão da pedofilia no seio da Igreja levantou um outro problema: uma eventual utilização com inconfessáveis fins do segredo do confessionário…

Poderemos dizer que estes factos remontam a tempos passados em que o crime de pedofilia tinha outra moldura penal. Tal asserção que encerra alguma verdade não se pode aplicar à ICAR cujos parâmetros morais sempre pairaram à margem do Direito Civil.

Mas o que dizer, ou melhor, o que pensar, da carta em destaque (cuja autenticidade foi confirmada pelo jesuíta Federico Lombardi) link, assinada pelo punho do então cardeal Joseph Alois Ratzinger - hoje papa Bento XVI - datada de 1985, em que o então perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício) se opôs à destituição do cura Stephen Keisle da diocese de Oakland (Califórnia), - acusado por abusos sexuais em menores praticados em 1981 – invocando “ o bem da Igreja Universal”?

Esta é a "Doutrina da Fé"!

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