O “novo” PSD e alienações políticas…

A nova direcção política do PSD, liderada por Pedro Passos Coelho, pretende "meter o Rossio na betesga".
Isto é, “emagrecer o Estado” – dentro da mais pura tradição neoliberal - e, simultaneamente, para não perder eleitorado, num País carente de apoios e com baixo nível de desenvolvimento, manter algumas prestações sociais (pour épater les bourgeois).

Por outro lado, quer mexer no enquadramento constitucional dotando o Estado de mais um órgão – o anunciado “Conselho Superior da República” (?) – nova superstrutura pública, cujas atribuições correm o sério risco de competir ao nível das competências com os poderes já existentes ou, na pior das hipóteses, burocratizando o Estado, retirando-lhe agilidade.

Pretende, ainda o “renovado” PSD, introduzir importantes alterações na lei eleitoral e nas competências reguladoras do Estado, assuntos que, sempre que foram trazidos à liça, levantaram grandes polémicas e muitas vezes mostraram-se subsidiário de ocultos interesses de contabilidade eleitoral ou de fidelização de segmentos clientelares ideológicos.

É pura estultícia para um partido com a actual dimensão parlamentar, que tem o PSD, alimentar pretensões tão vastas.
A adaptação do quadro institucional português às estratégias da Direita é uma miragem num País, que tem revelado possuir uma maioria sociologica de Esquerda...

Profundas alterações constitucionais, cujas virtudes estão por provar, necessitam de um amplo acordo parlamentar, logo de um consenso interpartidário, que para um observador atento, não existem. Os nossos problemas actuais não assentam na inadequação do nosso enquadramento institucional. O País não possui uma dinâmica política e social própria para alimentar veleidades do tipo do “desgovernamentalizar e desestatizar”, à boa maneira neo-liberal, deixando os cidadãos entregues a si próprios.

Não basta afirmar, como fez Pedro Passos Coelho, que o PSD é “ o partido da democracia política, económica e social”…
Tornava-se necessário transmitir a ideia que o PSD – como a sua designação sugere – é um partido que se rege pela doutrina social-democrata e que, para além de mostrar um insaciável apetite pelo poder, mostrasse possuir uma sólida coerência ideológica. Não o conseguiu!
Existiu, isso sim, a permanente preocupação de "mostrar" uma artificial coesão de dirigentes passados, presentes e futuros, incapazes de disfarçar - nos momentos mais vibrantes deste Congresso - um cego empenho no “assalto” ao aparelho do Estado, que dizem repudiar...

A “salada russa”, cozinhada em Carcavelos, onde se mistura o neo-liberalismo com posições demagógicas e populistas, não tem consistência política e doutrinária. É, portanto, um passo em direcção a uma inevitável alienação política.

Na verdade, o País não vive (ainda...) uma crise política, no sentido estrito do termo. Vive, sim, uma profunda crise económica e financeira, com incomensuráveis rebates sociais. Disso, pouco se falou em Carcavelos…

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