PSD: o “lifting” da coesão interna …

Nas últimas semanas, no remanso dos gabinetes de S. Caetano à Lapa, Pedro Passos Coelho, tem estado ocupado em “cozinhar” um modelo de coesão partidária para exibir aos portugueses no Congresso de Carcavelos. Tinha absoluta necessidade de o fazer. A imagem do PSD está completamente degradada aos olhos das portuguesas e dos portugueses. Quando se proclama que o PSD “não é um saco de gatos” é porque, na realidade, terá sido isso que, Pedro Passos Coelho, encontrou no seu partido.

A chamada a funções partidárias - não determinantes na manobra política futura - dos seus mais significativos adversários na campanha para a presidência do PSD, refiro-me a Paulo Rangel e a Aguiar-Branco, são meras operações de cosmética, que pouco ou nada dizem aos cidadãos. São valorizadas internamente mas, mesmo aí, não deixam de ser observadas como “manobras de bastidor”.

Na verdade, a coesão interna não passa por esses artifícios. Todos sabemos que essa coesão interna passa, essencialmente, por um projecto mobilizador, assente numa base doutrinária que seja partilhada por uma maioria de militantes. Ora, o PSD tem protagonizado um conjunto de remendos aparentemente unificadores, mas não houve qualquer progressão, ou clarificação, na área doutrinária e programática.

O partido – no curto interregno que mediou a eleição do novo presidente até hoje - pronunciou-se sobre pequenas questões da política nacional – essencialmente no campo económico e orçamental – de modo pontual e desgarrado de qualquer linha de rumo.
Se alguma coisa ficou – sub-repticiamente – esclarecida foi uma envergonhada ruptura com o “cavaquismo”, essencialmente reactiva ao descalabro partidário corporizado por Manuela Ferreira Leite. Ruptura essa, essencialmente, de carácter geracional, não tendo evitado que a actual direcção, sob o fogo dos resquícios cavaquistas (ainda importantes no partido), não tivesse sido obrigada a apoiar, antecipadamente, a recandidatura de Cavaco Silva a Belém.

De fora ficaram velhos “senadores” e “barões” do partido, todos eles referenciáveis a Cavaco e Silva ou, para os mais saudosistas, a Francisco Sá Carneiro.
Refiro-me a Francisco Pinto Balsemão, Marcelo Rebelo de Sousa, Alberto João Jardim, Pedro Santana Lopes, etc.

Certo que em democracia não existem posições unanimistas. Mas o grande deficit para conseguir uma sólida coesão interna que permita a Pedro Passos Coelho apresentar-se aos portugueses como uma real alternativa ao actual governo é a existência no seu seio de um árido deserto doutrinário.

O pragmatismo de um novo/velho “aparatchik”, oriundo das juventudes partidárias, não chega. E o endosso da responsabilidade de coordenação do futuro programa partidário para o seu rival Aguiar-Branco, não permite esconder a fragilidade doutrinária da equipa que rodeia Pedro Passos Coelho.

Em concreto, Aguiar-Branco poderá representar a linha mais centrista do PSD onde, ainda, são remanescentes alguns laivos de social-democracia e, onde serão visíveis preocupações de índole social.
Todavia, o núcleo duro da direcção partidária eleita posiciona-se, claramente, à Direita, portanto, deslocado do “pensamento político” de Aguiar-Branco, clamorosamente rejeitado nas urnas pelos quadros e militantes, ansiosos de uma célere “reconquista” do poder, ilusão que Pedro Passos Coelho soube transmitir.

É este “desencontro” entre uma confrangedora penúria doutrinal e uma pragmática estratégia de “assalto” ao Poder, que torna os esforços de coesão partidária, desenvolvidos pela nova direcção do PSD, nos últimos tempos, uma intervenção cosmética.…

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