A chantagem entrou no quotidiano governamental


Tendo fracassado a manobra intimidatória do Governo sobre o Tribunal Constitucional, Passos Coelho, em vez de lembrar à União Europeia que somos um Estado de Direito e que as decisões judiciais têm força obrigatória, resolveu atirar-se aos juízes como gato a bofes e mobilizar os saprófitas do poder para os denegrir.

Assim, em vez de ter um argumento a seu favor, deu aos credores uma arma contra si, ou seja, contra o País que a incúria, o criativo Relvas e o ressentido PR colocaram nas suas mãos inexperientes.

As receitas inconstitucionais «perdidas», apesar de representarem apenas um terço das que se referem ao clamoroso erro de previsão do ministro das Finanças, são a desculpa para justificar o fracasso do Governo.

Passos Coelho conquistou o poder e não tinha qualquer experiência sobre a forma de o exercer; aceitou os ministros que lhe disseram mas não sabe avaliá-los; acumula erros e não sabe como corrigi-los.

Faz como um bispo espanhol que desculpou os seus padres pedófilos com o assédio das crianças. Para Passos Coelho a culpa é sempre alheia e nem, sequer, dos conselheiros da troika, que parecem estar ao seu nível.

Para esta gente a perda de credibilidade do país deve-se às decisões dos tribunais e não à sua contestação. É assim que pensa Vítor Bento, o Conselheiro de Estado que o PR nomeou para substituir Dias Loureiro, quiçá educado na escola democrática do Estado Novo.

Comentários

e-pá! disse…
O problema é linear mas, acima de tudo, dramático.

Quando a Constituição é violada e depois dobrada pela exigência dos 'credores' é o regime democrático desse País que é 'sacrificado' no altar dos mercados. E no caso português com a ajuda de um Governo (nominalmente Constitucional) o que sendo espantoso, integra-se no papel que atribuiu a si próprio de ser um 'bom aluno' para os mercados e um 'cábula' na defesa dos valores democráticos.
A infâmia é tremenda. Não estamos colocados só à beira de um perene ciclo de incumprimentos (aparentemente sem saída) mas nas respostas gizadas encetou-se o mais abjecto e persistente ataque contra o regime democrático.
Com estes 'senhores' - se não atalharmos caminho - corremos o risco de chegar ao seguinte e fatal paradoxo democrático:
Em 2015, quando constitucionalmente for obrigatória a realização de eleições Legislativas, estas correm o risco de não se realizar porque a situação continua a ser de 'emergência financeira', isso perturbaria os mercados, seria grave quebrar a estabilidade ou, simplesmente, os credores não querem mudar os seus 'funcionários' de estão por cá, etc.
Começa a mostrar-se incompatível 'resgatar' o País e simultaneamente 'preservar' a Democracia.
Esta a tragédia que vai condicionar - determinar - as futuras (próximas) lutas políticas.
A coisa não se faz por menos!... como diz o povo.

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