O discurso do PR na AR em 25 de Abril e outros


Permitam-me que discorde da unanimidade que, com exceção de alguns setores menos instruídos ou mais comprometidos do PSD, se gerou em torno do referido discurso.

Dizem que o discurso do 25 de Abril foi um desastre. Porquê? Já fez melhor? Alguma vez exibiu grandeza ética ou tolerância? Quando é que se lhe ouviu o elogio da data ou se assistiu a alguma manifestação de respeito pelo ato heroico ou pelos seus autores? Além de não sabermos o que Relvas sabe a seu respeito, e do que é capaz, que motivo temos para esperar que este PR exulte com o 25 de Abril, se extasie com cravos rubros ou morra de amores pela democracia?

Já o discurso de Bogotá foi injustamente criticado. Quem aguardava que o professor de Literatura pela Universidade de Goa pudesse dizer bem de Saramago? Que legitimidade nos assiste para o obrigar a ler o enorme escritor, a citar o nome do seu ódio de estimação, quando já fez o sacrifício patriótico de citar Camões como se o tivesse lido?

Quem não se recorda do ódio e ressentimento do seu discurso de vitória no mandato que os portugueses, reincidindo, lhe confiaram? Quem esqueceu a exaltação com que zurziu a AR por lhe terem feito engolir o Estatuto dos Açores, um diploma que, por acaso, não honra os deputados? Que esperam de quem não sabe se poderá pagar as contas no fim do mês e teve de se sujeitar ao vexame de ganhar uns cobres com ações da SLN, lucro que não rejeitou quando soube que foi ganho com um grupo de vigaristas reconhecidos?

Cavaco é um homem fiel ao PSD e à amantíssima esposa. Quem faz tamanho sacrifício, que outro se lhe pode pedir em nome da CRP, dos portugueses ou de Portugal?  

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